Bispos da França pedem paz e sentido para os jovens
Publicado em 20/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas
Foto: Hammondtravels, CC BY-SA 4.0, adaptada
Resumo
- Os bispos da França condenaram a violência em manifestações de 17 de outubro e pediram diálogo e justiça.
- O arcebispo Vincent Jordy lembrou que há reivindicações legítimas e que muitos jovens vivem angústia e falta de rumo.
- O arcebispo Olivier de Germay propôs uma marcha pela paz entre religiões e disse que os jovens se transformam quando servem ao próximo.
O que os bispos franceses disseram
A Conferência Episcopal da França, que reúne os bispos do país, divulgou um comunicado sobre os graves distúrbios de 17 de outubro. Eles aconteceram à margem de manifestações que tinham sido autorizadas.
Segundo o texto, policiais foram atacados e feridos, lojas foram saqueadas e instalações públicas sofreram danos. Prédios que representam instituições do Estado também foram depredados.
Para a presidência da entidade, as cenas deixaram o país em estado de choque, medo e desolação. Na segunda-feira, 19 de outubro, os bispos pediram que ninguém se deixe arrastar por esse ciclo destrutivo de violência. "Nosso país merece algo melhor", escreveram.
Jovens cansados e sem rumo
Os protestos do fim de semana vieram depois de cerca de um mês de manifestações de estudantes do ensino médio. Vários bispos se reuniram com esses jovens. Eles reclamam da piora nas escolas: faltam condições básicas de estudo, faltam professores e há muita desorganização.
O arcebispo de Tours, Vincent Jordy, é um dos vice-presidentes da Conferência e assinou o comunicado. Ele afirma que existem reivindicações legítimas e que, numa democracia, quem sofre precisa poder se expressar.
Jordy descreve uma sociedade marcada pela ansiedade, por causa de guerras, crise europeia, preocupação com o meio ambiente e vida difícil. Muita gente se pergunta por que ter filhos e até por que levantar da cama de manhã.
Segundo ele, vários jovens ouvidos nem sempre sabem explicar a natureza do próprio sofrimento. No sábado, foram acompanhados nas ruas por franceses que sentem que o país está em declínio.
Contra a violência, diálogo e justiça
Os bispos lembram que nem todos que estão nas ruas querem o mesmo. Para Jordy, alguns aproveitam a desordem para promover outros interesses, que nada têm a ver com reivindicações justas. A violência, diz ele, muitas vezes atinge sem escolher e faz pessoas honestas verem o trabalho de uma vida acabar.
Por isso, a Conferência manifestou solidariedade aos trabalhadores prejudicados. Também rezou pelo fim dos distúrbios e pediu que as reivindicações legítimas sejam ouvidas e que a paz volte pelo diálogo e pelo respeito à justiça.
O arcebispo Jordy se disse impressionado com a troca de acusações entre políticos sobre quem seria responsável pela desordem. Ele gostaria de vê-los trabalhando juntos por um clima em que o diálogo seja natural. Entre as ideias que apresentou estão:
- Fortalecer os chamados corpos intermediários, como sindicatos e associações, que deveriam ser lugares de conversa e foram enfraquecidos nos últimos anos.
- Cuidar das perguntas mais profundas, como qual é o sentido da vida e para onde estamos indo.
- Ampliar o debate para além da política, chamando todos os que ajudam a dar sentido a este tempo.
"A solução é Deus"
O arcebispo de Lyon, Olivier de Germay, vai mais fundo. Ele vê o fim de um sistema que não responde à busca de felicidade que existe no coração de todo ser humano.
Na opinião dele, a sociedade atual se apoia no consumismo, no hedonismo (a ideia de que o prazer é o objetivo da vida) e no individualismo. Isso, diz ele, alimenta frustrações, aumenta desigualdades e faz muita gente, mesmo com tudo de que precisa, continuar com sede de felicidade.
Dom Olivier afirma que "a solução é Deus". Ele quer ver Deus de novo no centro da sociedade. Pergunta quem, senão Ele, poderia unir pessoas de culturas, religiões e opiniões diferentes. A resposta que dá é que todos pertencem à mesma humanidade. A Igreja chama isso de bem comum, tema que o Catecismo da Igreja Católica trata nos números 1905 a 1912.
O arcebispo de Lyon, que tem o título de Primaz das Gálias, também espera que líderes religiosos organizem uma marcha pela paz. A ideia é mostrar que diferenças entre judeus, cristãos e muçulmanos, e até dentro de cada comunidade, não fazem de ninguém inimigo.
Os jovens servem e mudam
Dom Olivier pede que se olhe para os jovens com esperança. Para ele, eles aspiram à felicidade como qualquer pessoa e têm muita generosidade. Falta alguém lhes mostrar que a vida deles tem sentido.
O exemplo que ele dá vem de Lourdes. Adolescentes do ensino médio, levados ao santuário para cuidar de doentes, às vezes vão contrariados. Na volta, segundo o arcebispo, voltam transformados pela alegria de servir. Veja mais sobre Nossa Senhora e seus santuários.
Essa lição vale aqui também. Muitos pais e avós se preocupam com a falta de rumo dos mais novos. Você pode convidar um jovem da família para ajudar numa pastoral, numa visita a doentes ou numa campanha da paróquia. Jesus disse: "Bem-aventurados os que promovem a paz" (Mt 5,9). Leia mais na seção Bíblia.
Se quiser rezar por esse assunto, escolha uma das orações do portal. Peça a Deus paz para a França e rumo para os nossos filhos e netos. Acompanhe outras notícias da Igreja por aqui.
Fonte
Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de Canção Nova.
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