CNBB e CRB preparam formação para proteger crianças
Publicado em 19/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas
Foto: Centro Televisivo Vaticano, CC BY 3.0, adaptada
Resumo
- CNBB e CRB se reuniram em Brasília, em 13 de outubro, para articular ações de proteção a crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis.
- Primeiro passo será mapear as necessidades de cada regional e as estruturas de proteção que já existem no país.
- Com esse levantamento, as duas conferências querem montar um projeto de formação conjunto, previsto para 2027.
Em Brasília, bispos e religiosos se reúnem para proteger os mais frágeis
Na terça-feira, 13 de outubro, a sede da CNBB, em Brasília (DF), recebeu uma reunião importante para as famílias católicas. Representantes da Comissão para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB sentaram à mesa com membros da CRB, a Conferência dos Religiosos do Brasil.
"Tutela" quer dizer, aqui, proteção e cuidado. A comissão da CNBB cuida justamente disso: que crianças, adolescentes e adultos em situação de fragilidade estejam seguros nos ambientes da Igreja. Já a CRB reúne as congregações religiosas, ou seja, as comunidades de padres, irmãos e irmãs que atuam em escolas, obras sociais, paróquias e missões pelo país.
O objetivo do encontro foi avançar em iniciativas de prevenção de abusos e fortalecer as políticas de proteção em toda a Igreja no Brasil. Quem deu as informações foi o secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers.
O que ficou combinado
Segundo Dom Ricardo, a reunião não terminou em discurso. Saiu dela um caminho com etapas claras:
- Fazer um mapeamento das necessidades de cada regional da CNBB.
- Levantar quais estruturas de proteção já existem em cada lugar.
- Identificar as regiões que precisam de mais acompanhamento.
- Montar, a partir desses dados, um projeto de formação conjunto entre CNBB e CRB.
- Realizar esse projeto em 2027.
Ou seja, antes de ensinar, a Igreja quer escutar. Só depois de saber onde estão as maiores dificuldades é que as duas conferências vão desenhar a formação.
Por que primeiro mapear
O Brasil é grande, e a realidade das dioceses e congregações é muito diferente de um lugar para outro. Os participantes avaliaram isso na reunião. Em algumas regiões, os comitês de proteção já funcionam bem e estão organizados. Em outras, ainda existem fragilidades.
Dom Ricardo explicou os motivos. Há as distâncias geográficas, a dificuldade de articulação entre as instituições e o desafio de consolidar políticas de prevenção. Em certos lugares, ainda é preciso começar a escrever a política de proteção. Em outros, falta aprofundar o conhecimento sobre a legislação, a organização das instituições e a participação da sociedade nessas ações.
Por isso, o secretário-geral resumiu o maior desafio assim: levantar "a gradualidade de cada região" e as necessidades reais de cada uma. A formação, segundo ele, deve levar às bases "aquilo que realmente eles estão precisando".
A Igreja está em todo lugar, e isso ajuda
Dom Ricardo destacou um ponto positivo. Ele chamou de capilaridade o fato de a Igreja e a vida religiosa estarem presentes em todos os cantos do país. É a imagem dos vasinhos de uma planta, que levam a água até as pontas das folhas.
Na prática, isso quer dizer que existe uma paróquia, uma comunidade ou uma casa religiosa perto de quase todo brasileiro. Essa presença facilita chegar às bases e conhecer a realidade de cada lugar. Ao mesmo tempo, exige formação sob medida, porque a necessidade de uma comunidade ribeirinha não é a mesma de uma grande cidade.
A meta, nas palavras do bispo, é dar sustentabilidade e fortalecimento organizacional aos locais que vão precisar de mais apoio. Mas, acima de tudo, fortalecer os vínculos entre as pessoas.
Um caminho que vem de antes
A reunião deu continuidade a um protocolo de intenções, isto é, um compromisso assinado de cooperação. Ele foi firmado em abril de 2026, durante a Assembleia Geral dos Bispos, entre a CNBB, a CRB e a Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores, órgão do Vaticano que cuida do tema. Dom Ricardo falou em um processo "muito bonito de continuidade".
Outro passo recente foi o IV Encontro da Rede para a Cultura do Cuidado, de 31 de agosto a 3 de setembro de 2026, na Casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília. Especialistas e representantes conversaram sobre prevenção, proteção de pessoas vulneráveis e ambientes eclesiais seguros.
O encontro destacou o trabalho em rede, a corresponsabilidade entre as instituições e a formação permanente. Também tratou de formas de abuso que não são sexuais, mas ferem a dignidade e a integridade das pessoas.
O que isso muda na sua paróquia e na sua casa
Jesus foi claro ao dizer: "Deixai vir a mim as crianças" (Marcos 10,14). Quem leva os filhos ao catecismo, à catequese de crisma, ao grupo de jovens ou à pastoral da criança confia que esses lugares são seguros. É para merecer essa confiança que a Igreja trabalha.
Você pode ajudar de modo simples. Pergunte na sua paróquia ou comunidade como é o cuidado com crianças e adolescentes. Converse com os filhos e ouça o que eles contam. Se a sua comunidade quiser se preparar, a formação de 2027 vai ser uma boa oportunidade. Acompanhe as novidades na nossa seção de notícias e no site da CNBB.
Que tal rezar hoje, em família, por quem foi ferido e por quem cuida? Você encontra sugestões na nossa página de orações. E, ao levar uma criança à catequese ou ao batismo, lembre-se de que cuidar dela é tarefa de toda a comunidade.
Fonte
Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de O São Paulo.
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