Muita gente sente um frio na barriga só de pensar em se confessar. Uns estão há anos longe do sacramento. Outros não lembram mais como funciona. Há quem tenha medo de esquecer algo ou de ser julgado. Esta matéria quer ajudar você a dar esse passo com paz.
O Catecismo mostra que este sacramento tem vários nomes, e cada um revela uma parte do seu sentido. Ele é chamado sacramento da conversão, da penitência, da confissão, do perdão e da reconciliação (§1423 e §1424). Quem se aproxima dele recebe de Deus o perdão e é reconciliado com a Igreja (§1422).
O Catecismo também recomenda vivamente a confissão dos pecados do dia a dia, chamados veniais. Ela ajuda a formar a consciência, a lutar contra as más inclinações e a crescer na vida do Espírito (§1458). Muitos santos se confessavam com frequência, mesmo sem pecados graves.
Como saber se um pecado é grave? O Catecismo explica que o pecado mortal exige três condições ao mesmo tempo: matéria grave, plena consciência e consentimento deliberado (§1857). A matéria grave é indicada pelos Dez Mandamentos (§1858). Na dúvida, confesse e converse com o padre.
Os três atos de quem se confessa
O Catecismo ensina que o sacramento tem três atos do penitente, além da absolvição do sacerdote (§1491). O primeiro é a contrição, isto é, a dor de ter pecado com o propósito de não pecar mais (§1451). Ela pode ser perfeita, quando nasce do amor a Deus, ou imperfeita, quando nasce do medo das consequências do pecado. As duas são dom de Deus (§1452 e §1453).
O segundo ato é a confissão dos pecados ao padre. É preciso dizer todos os pecados graves de que se tem consciência, depois de um exame cuidadoso (§1456). Não é preciso contar detalhes desnecessários. Basta dizer o pecado e, quando for importante, quantas vezes aconteceu.
O terceiro ato é a satisfação, ou penitência. O padre indica uma oração, uma leitura ou um gesto concreto, de acordo com a situação de quem se confessa (§1460). Quando o pecado prejudicou alguém, é preciso fazer o possível para reparar o dano, como devolver o que foi tirado ou restaurar a reputação de quem foi caluniado (§1459).
Exame de consciência: os três primeiros mandamentos
Antes de ir, reserve alguns minutos de silêncio. Peça ao Espírito Santo que ilumine sua memória. Depois, percorra os mandamentos com perguntas simples. Não é preciso responder a todas; detenha-se no que pesa na consciência.
Primeiro mandamento. Rezo todos os dias? Coloquei dinheiro, trabalho ou outra pessoa acima de Deus? Procurei horóscopo, cartomante, simpatias ou outras práticas supersticiosas? Duvidei da fé de propósito ou tive vergonha de ser católico?
Segundo mandamento. Usei o nome de Deus, de Nossa Senhora ou dos santos com desrespeito? Jurei em falso? Deixei de cumprir uma promessa feita a Deus?
Terceiro mandamento. Faltei à Missa de domingo ou de dia santo de guarda sem motivo sério? Cheguei muito atrasado ou fiquei distraído de propósito? Trabalhei sem necessidade no domingo, deixando de lado Deus e a família?
Exame de consciência: do quarto ao sétimo
Quarto mandamento. Respeitei meus pais, vivos ou idosos? Cuidei deles quando precisaram? Fui paciente com meu cônjuge e meus filhos? Dei bom exemplo de fé em casa?
Quinto mandamento. Desejei mal a alguém? Guardei ódio ou desejo de vingança? Agredi alguém com palavras ou gestos? Coloquei vidas em risco no trânsito, com bebida ou com descuido da saúde? Apoiei ou participei de um aborto?
Sexto mandamento. Fui fiel no casamento, em atos, pensamentos e conversas? Consumi pornografia? Tratei o corpo, o meu e o dos outros, com respeito?
Sétimo mandamento. Peguei algo que não era meu? Paguei minhas dívidas? Fiz bem o meu trabalho? Fui justo com quem trabalha para mim? Soneguei ou enganei em negócios? Desperdicei o que poderia ajudar quem precisa?
Exame de consciência: os três últimos
Oitavo mandamento. Menti? Falei mal de alguém pelas costas, mesmo dizendo a verdade? Inventei ou espalhei boatos, inclusive em grupos de mensagens? Julguei os outros sem fundamento?
Nono e décimo mandamentos. Alimentei desejos impuros de propósito? Tive inveja do que os outros têm? Vivo insatisfeito, comparando minha vida com a dos outros?
Também vale olhar os preceitos da Igreja. Comunguei ao menos na Páscoa? Respeitei os dias de jejum e abstinência? Ajudei a Igreja nas suas necessidades, de acordo com minhas possibilidades?
O que a confissão faz em nós
O Catecismo resume o efeito deste sacramento numa palavra: reconciliação. Toda a sua força está em nos devolver a graça de Deus e nos unir a Ele numa amizade profunda (§1468). Muitas pessoas contam que saem do confessionário com uma paz que não sabem explicar.
A confissão também nos reconcilia com a Igreja. O pecado fere a comunhão entre os irmãos, e o sacramento a restaura (§1469). Por isso o perdão passa pelo padre: ele age em nome de Cristo e da comunidade. Os bispos e os presbíteros continuam o ministério da reconciliação que Jesus confiou aos Apóstolos (§1461).
Vale lembrar o que acontece quando alguém está em perigo de morte e não consegue se confessar. A contrição perfeita, nascida do amor a Deus, obtém o perdão até dos pecados graves, desde que a pessoa tenha o propósito de se confessar assim que for possível (§1452).
Passo a passo na hora da confissão
Primeiro, informe-se. Os horários de confissão variam muito. Algumas paróquias atendem em dias fixos, outras antes das Missas, outras com hora marcada. Consulte o mural, o site ou a secretaria da sua paróquia. Em tempos fortes, como Quaresma e Advento, muitas comunidades organizam mutirões de confissão.
Ao chegar, faça o sinal da cruz. Se quiser, diga há quanto tempo foi sua última confissão. Em seguida, conte seus pecados com simplicidade. O padre pode dar um conselho e indicará a penitência.
Depois, o padre pede que você manifeste o arrependimento. Uma fórmula curta muito usada no Brasil é: "Meu Deus, eu me arrependo de todo o coração de vos ter ofendido, porque sois tão bom e amável. Prometo, com a vossa graça, esforçar-me para ser bom. Meu Jesus, misericórdia!". Por fim, o padre dá a absolvição. Saia, cumpra a penitência e agradeça a Deus.
Perguntas que muita gente faz
O padre pode contar o que ouviu? Não. O sigilo da confissão é absoluto (§1467). O Código de Direito Canônico diz que o sigilo sacramental é inviolável e que o confessor não pode revelar o penitente de modo algum, nem por motivo nenhum (cânon 983).
Estou há décadas sem confessar. E agora? Diga isso ao padre logo no início. Ele vai ajudar com perguntas. Cristo instituiu este sacramento justamente para quem se afastou depois do Batismo (§1446). Não existe pecado que Deus não queira perdoar a quem se arrepende.
E se eu esquecer um pecado? Se você fez um exame sincero e esqueceu algo sem querer, o pecado foi perdoado junto com os outros. Se lembrar depois de um pecado grave, mencione na próxima confissão.
A confissão comunitária, sem dizer os pecados, vale? A confissão individual e íntegra continua sendo o único meio ordinário de reconciliação para quem tem pecado grave (§1484). A absolvição geral só é permitida em situações excepcionais previstas pela Igreja (cânon 961).
Para se preparar melhor, leia a matéria sobre os Dez Mandamentos em Catecismo, veja outras dúvidas em Dúvidas e reze com as Orações do portal. O texto do Catecismo sobre a confissão está no site do Vaticano.