Muita gente fez a primeira comunhão, casou na igreja e participa da Missa, mas nunca recebeu a Crisma. Outros foram crismados na adolescência e lembram pouco do que aconteceu. A Crisma às vezes é chamada de sacramento esquecido. Esta matéria quer devolver a ela o lugar que merece.
O Catecismo ensina que a Crisma, junto com o Batismo e a Eucaristia, forma os chamados sacramentos da iniciação cristã, cuja unidade deve ser preservada (§1285). Sem ela, a iniciação fica incompleta. O nome oficial é Confirmação, porque o sacramento confirma e fortalece a graça do Batismo. O nome popular, Crisma, vem do óleo perfumado usado na celebração.
No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos os Apóstolos impondo as mãos sobre os batizados para que recebessem o Espírito Santo. O Catecismo explica que essa imposição das mãos é a origem do sacramento da Confirmação (§1288).
Bem cedo, a Igreja acrescentou à imposição das mãos uma unção com óleo perfumado, o crisma. Essa unção ilustra o nome de cristão, que quer dizer ungido, e lembra o próprio Cristo, ungido pelo Espírito Santo (§1289).
Na Bíblia e na Antiguidade, o óleo tinha muitos sentidos. Era sinal de abundância e alegria, purificava, curava e fortalecia os atletas (§1293). Na Crisma, a unção significa a consagração da pessoa e a marca do Espírito Santo, o selo de que ela pertence a Cristo (§1294 e §1296).
O que a Crisma faz
O efeito do sacramento é uma efusão especial do Espírito Santo, como aconteceu com os Apóstolos no dia de Pentecostes (§1302). O Catecismo explica que a Crisma aprofunda a graça do Batismo. Ela enraíza a pessoa mais profundamente como filha de Deus, une mais firmemente a Cristo e aumenta os dons do Espírito Santo (§1303).
A Crisma também fortalece o vínculo com a Igreja e dá uma força especial do Espírito para difundir e defender a fé pela palavra e pelas obras (§1303). O confirmado recebe a força de confessar publicamente a fé em Cristo (§1305).
Os sete dons do Espírito Santo são sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus (§1831). Muitos crismandos decoram essa lista. Mais importante que decorar é pedir esses dons na vida diária, nas decisões da família e do trabalho.
Como o Batismo, a Crisma imprime na alma uma marca espiritual que não se apaga, o caráter. Por isso, ela é recebida uma única vez na vida (§1304).
Quem pode receber e com que idade
Todo batizado que ainda não foi crismado pode e deve receber a Confirmação (§1306). O Código de Direito Canônico diz que o sacramento deve ser administrado por volta da idade da discrição, a não ser que a Conferência Episcopal determine outra idade (cânon 891). O Catecismo lembra o costume latino de usar a idade da discrição como referência (§1307).
Na prática, a idade e o tempo de preparação variam bastante no Brasil. Em muitas dioceses, a Crisma é celebrada na adolescência, depois de um ou dois anos de catequese. Outras têm turmas de jovens e de adultos. A orientação certa é a da sua diocese, e quem informa é a paróquia.
Para receber o sacramento, é preciso estar em estado de graça. O Catecismo recomenda confessar-se antes, para ser purificado em vista do dom do Espírito Santo (§1310). Quem tem uso da razão deve estar instruído e ser capaz de renovar as promessas do Batismo (cânon 889).
Como escolher o padrinho
Tanto na Crisma como no Batismo, convém que o crismando tenha um padrinho ou uma madrinha. O Catecismo diz que é conveniente que seja o mesmo do Batismo, para mostrar a unidade dos dois sacramentos (§1311). O Código repete essa recomendação (cânon 893).
Os requisitos são os mesmos do Batismo, previstos no cânon 874. O padrinho deve ter 16 anos completos, salvo outra idade fixada pelo bispo. Precisa ser católico, crismado e ter feito a primeira comunhão. Deve levar uma vida coerente com a fé e não pode ser o pai ou a mãe do crismando.
A missão do padrinho é ajudar o crismado a viver como verdadeira testemunha de Cristo (cânon 892). Por isso, vale escolher alguém que reze, participe da comunidade e possa acompanhar de perto. Muitas paróquias pedem que o padrinho apresente comprovante da própria Crisma. Pergunte na secretaria.
Como é a celebração
No rito latino, o ministro ordinário da Crisma é o bispo (§1313). Por isso, muitas vezes a celebração acontece quando o bispo visita a paróquia. Ele pode, em caso de necessidade, autorizar padres a crismar. Em perigo de morte, qualquer sacerdote pode conferir o sacramento (§1314).
A Crisma costuma ser celebrada dentro da Missa. Os crismandos renovam as promessas do Batismo, o que mostra a ligação entre os dois sacramentos (§1321). Depois, o bispo estende as mãos sobre eles e reza pedindo o Espírito Santo.
O rito essencial é a unção com o santo crisma na testa, feita com a imposição da mão. O bispo diz as palavras: "Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o Dom de Deus" (§1300 e §1320). O padrinho coloca a mão direita sobre o ombro do afilhado durante a unção. Em seguida, o bispo deseja a paz ao crismado.
O óleo do crisma e a Semana Santa
Um detalhe bonito ajuda a entender a ligação da Crisma com toda a Igreja. O óleo usado na celebração é consagrado pelo bispo, geralmente na Missa do Crisma, celebrada na Semana Santa na catedral, com a presença dos padres da diocese.
Assim, cada crismado recebe um óleo que vem do bispo e une a comunidade local à Igreja inteira. O Catecismo lembra que o bispo é o ministro originário da Confirmação, justamente para mostrar esse vínculo com a origem apostólica da Igreja (§1312 e §1313).
Se a sua diocese transmite a Missa do Crisma, vale a pena acompanhar. É uma celebração que ajuda a perceber como os sacramentos que recebemos estão ligados ao bispo e aos Apóstolos.
Passo a passo para se inscrever
Primeiro, procure a secretaria da paróquia e pergunte quando começam as turmas de Crisma, para jovens ou para adultos. As inscrições costumam ter datas fixas no ano.
Segundo, providencie a certidão de Batismo, que é pedida na maioria das paróquias. Se você foi batizado em outra cidade, peça à paróquia de origem; muitas enviam por e-mail ou correio.
Terceiro, participe dos encontros de catequese. O Catecismo diz que a preparação deve levar a uma união mais íntima com Cristo e a uma familiaridade mais viva com o Espírito Santo (§1309). Não é só uma formalidade para cumprir.
Perguntas que muita gente faz
Sou adulto e não sou crismado. Ainda dá tempo? Dá, e a Igreja incentiva. Muitas paróquias têm turmas para adultos, com encontros em horários mais flexíveis. Não tenha vergonha: é comum.
Preciso da Crisma para casar na igreja? O Código pede que os católicos ainda não crismados recebam a Crisma antes do casamento, se puderem fazer isso sem grave incômodo (cânon 1065). Cada paróquia orienta como proceder. Se o casamento está próximo, converse logo com o padre.
Para saber mais sobre os outros sacramentos, veja a categoria Sacramentos. Para rezar ao Espírito Santo, há orações em Orações e as datas de Pentecostes estão no calendário. O texto do Catecismo pode ser lido no site do Vaticano.