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Eleições 2026: como foram os candidatos católicos

Publicado em 14/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Prédio do Congresso Nacional, em Brasília

Foto: Senado Federal, CC BY 2.0, adaptada

Resumo

  • Dos seis padres que disputaram vagas, dois seguem com mandato: Pedro Baldissera (PT-SC) e João Carlos Siqueira (PT-MG).
  • No Ceará e em São Paulo, candidatos ligados a comunidades e igrejas não conseguiram se eleger.
  • A Igreja proíbe que padres assumam cargos políticos e pede que os leigos participem da política com consciência.

O primeiro turno e o voto religioso

O primeiro turno das eleições de 2026 aconteceu em 4 de outubro. Além de presidente, os brasileiros escolheram governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. A disputa presidencial vai para o segundo turno em 25 de outubro, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

A fé teve presença forte na campanha, com disputa pelos votos de católicos e evangélicos. Ao mesmo tempo, levantamentos publicados depois da votação mostram que candidatos ligados diretamente a igrejas tiveram desempenho abaixo do esperado em vários estados. Reunimos aqui o que as reportagens mostraram sobre os candidatos católicos, sem tomar partido de ninguém.

Os padres que foram candidatos

Um levantamento da ACI Digital, citado pelo jornal Gazeta do Povo, identificou seis padres que disputaram cargos em 2026. Dois deles seguem com mandato: o padre Pedro Baldissera (PT-SC), reeleito deputado estadual em Santa Catarina com 33.304 votos, e o padre João Carlos Siqueira (PT-MG), que continuará na Câmara dos Deputados com 86.923 votos.

Os outros quatro não conseguiram vaga. O padre Luiz Albuquerque Couto (PT-PB), que já tinha mandato na Câmara, não se reelegeu, mesmo com 62.212 votos. O padre Sílvio Andrei (Avante-SP) teve 26.409 votos para deputado federal. O padre Antônio Menezes (PT-AC) recebeu 3.123 votos para deputado estadual no Acre, e o padre Sebastião Coracy de Oliveira (PSD-MT), 1.997 votos para deputado estadual em Mato Grosso.

Segundo a reportagem, alguns desses sacerdotes pediram dispensa do ministério ou sofreram sanções canônicas para concorrer. No caso de Pedro Baldissera, a Arquidiocese de Chapecó informou que a situação é conhecida pelo arcebispo e regulada por ato da autoridade competente.

Desenho de um plenário vazio de casa legislativa, com cadeiras azuis e verdes em semicírculo diante da mesa diretora
As cadeiras de um plenário legislativo: dois dos seis padres candidatos seguem com mandato

Votos dos seis padres candidatos em 2026

Votos dos seis padres candidatos em 2026
ItemValor (votos)
Pe. João Carlos Siqueira (eleito)86.923 votos
Pe. Luiz Couto (não eleito)62.212 votos
Pe. Pedro Baldissera (eleito)33.304 votos
Pe. Sílvio Andrei (não eleito)26.409 votos
Pe. Antônio Menezes (não eleito)3.123 votos
Pe. Sebastião Coracy (não eleito)1.997 votos
Fonte: Gazeta do Povo, com levantamento da ACI Digital

O que a Igreja diz sobre padres na política

O Código de Direito Canônico, a lei que organiza a vida da Igreja, é claro. O cânone 285 proíbe que os clérigos assumam cargos públicos que impliquem participação no exercício do poder civil. O cânone 287 pede que eles não tenham parte ativa em partidos políticos, a não ser que a autoridade da Igreja entenda que a defesa dos direitos da Igreja ou o bem comum o exigem. A CNBB reafirmou essa orientação em 2024.

O motivo é pastoral: o padre é pai espiritual de toda a comunidade, de quem vota em um candidato e de quem vota no outro. Quando entra na disputa partidária, corre o risco de dividir o rebanho que deveria unir. Por isso, a Igreja prefere que o padre forme as consciências, e não que dispute votos. Isso não significa ficar calado diante da injustiça: a Igreja fala, e muito, sobre a vida, a pobreza e a corrupção. O que ela evita é que o pastor vire candidato de um partido.

Ceará: lideranças católicas fora das casas legislativas

No Ceará, o jornal O Povo mostrou que nomes ligados à Comunidade Católica Shalom, uma das maiores novas comunidades do país, não conquistaram mandato. Carlos Matos (União Brasil), ex-deputado estadual, teve 9.830 votos para a Câmara e ficou como suplente. Jorge Pinheiro (PSDB), vereador de Fortaleza e presidente da Frente Parlamentar Católica da cidade, teve 23.368 votos para a Assembleia Legislativa e também ficou na suplência. Alcyvania Pinheiro (PL) recebeu 8.997 votos para a Câmara.

A reportagem levanta a hipótese de que parte do eleitorado conservador e religioso tenha concentrado votos em candidaturas com maior capacidade de mobilização. Mas o próprio jornal pondera que os números não permitem concluir que houve uma migração direta de votos das igrejas para esses candidatos.

São Paulo: candidatos de igrejas sem vaga

Em São Paulo, o site Poder360 informou que candidatos ligados a igrejas não conseguiram se eleger ou se reeleger para a Câmara dos Deputados nem para a Assembleia Legislativa paulista. Entre eles está o padre Sílvio Andrei, já citado acima.

O cenário se repetiu em outros estados e também entre os evangélicos: a imprensa especializada destacou que vários líderes da bancada evangélica não se reelegeram. É um sinal de que o eleitor religioso não vota automaticamente em quem se apresenta como candidato da sua igreja.

O voto nas cidades mais católicas

Um levantamento da CNN Brasil olhou para as dez cidades com maior proporção de católicos do país, nove delas no Rio Grande do Sul e uma em Santa Catarina. Em todas, o candidato mais votado para presidente no primeiro turno foi Flávio Bolsonaro. Em Vespasiano Corrêa (RS), por exemplo, ele teve 82,83% dos votos válidos, contra 10,13% de Lula.

A mesma reportagem registrou que, na reta final da campanha, circulou uma notícia falsa dizendo que um dos candidatos queria tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O caso mostra como a fé dos brasileiros também vira alvo de desinformação em época de eleição. Antes de compartilhar, confira a fonte.

O que a Igreja pede aos católicos na eleição

Se o padre não deve ser candidato, o leigo é chamado a participar. O Catecismo da Igreja Católica ensina que não cabe aos pastores intervir diretamente na construção política da sociedade: essa é uma tarefa própria dos fiéis leigos, que devem agir por iniciativa própria, junto com os demais cidadãos (n. 2442). O Concílio Vaticano II, na constituição Gaudium et Spes, também lembra o dever de votar livremente para promover o bem comum.

Na prática, a Igreja não indica candidatos. Ela oferece critérios: a defesa da vida em todas as suas fases, a dignidade da pessoa humana, a família, a justiça social, o cuidado com os pobres e a honestidade na vida pública. Cabe a cada católico conhecer as propostas, comparar com esses critérios e votar em consciência.

Para o segundo turno, em 25 de outubro, vale a mesma orientação: informar-se em fontes confiáveis, desconfiar de mensagens alarmistas, respeitar quem pensa diferente e rezar pelo país. Uma boa oração para esse momento é a de São Miguel Arcanjo, pedindo proteção e discernimento.

Fontes desta matéria

Os números citados vêm das reportagens: Que fim levaram os padres candidatos em 2026? (Gazeta do Povo), Voto religioso perde força no Ceará (O Povo), Candidatos ligados a igrejas não se elegem em SP (Poder360) e Cidades mais católicas do Brasil dão vitória a Flávio (CNN Brasil).

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