Missão é testemunho de vida, não tarefa, diz bispo de MT
Publicado em 20/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas
Foto: Minerva97, CC0
Resumo
- Dom Maurício da Silva Jardim, bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT), lembra que a missão faz parte da natureza da Igreja e que todo batizado é missionário.
- Para ele, ser missionário não é acumular tarefas, mas dar testemunho coerente na família, no trabalho e na sociedade, e colaborar com oração, partilha e envio.
- Em 2026, o Dia Mundial das Missões completa 100 anos, com o tema "Um em Cristo, unidos na missão", escolhido pelo Papa Leão XIV.
O que o bispo disse neste Mês Missionário
Dom Maurício da Silva Jardim, bispo de Rondonópolis-Guiratinga, em Mato Grosso, falou sobre o sentido da missão neste Mês Missionário, celebrado em outubro. Ele preside a Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Em palavras simples, é o grupo de bispos que cuida de animar a missão no país. Também incentiva a ajuda entre dioceses e entre Igrejas de diferentes lugares.
A mensagem do bispo é direta. Missão não é uma lista de atividades para cumprir. É um testemunho de vida, dado todos os dias por quem foi batizado.
Isso vale para o catequista e para o ministro da Comunhão. Vale também para a mãe de família, o motorista, a professora e o estudante.
A missão está no DNA da Igreja
Dom Maurício lembrou um ensinamento do Concílio Vaticano II, a grande reunião dos bispos do mundo inteiro, nos anos 1960. O decreto Ad Gentes afirma que a Igreja peregrina é, por natureza, missionária. Ela tem origem no envio do Filho e do Espírito Santo pelo Pai.
O Catecismo diz algo parecido. A Igreja, por exigência da sua própria universalidade e em obediência ao mandato de Cristo, procura anunciar o Evangelho a todos (CIC 849).
Por isso, segundo o bispo, a missão não cabe em algumas horas do dia, em um mês do calendário ou em um programa. "Está no DNA da Igreja", resumiu. Ela acontece em todos os meses, todos os dias, todas as horas.
Ele explicou duas dimensões. A paradigmática é a palavra difícil para dizer que a missão é o eixo que dá sentido a toda a vida da Igreja. A programática aparece nos encontros, nas formações e nos projetos de evangelização.
O bispo chamou atenção ainda para o verbo de Jesus: "Ide". Está no imperativo, portanto não é opcional. E é um "Ide" sem fronteiras, que chega até os confins do mundo.
Todo batizado é missionário
Durante muito tempo, pensava-se que missionário era só o padre, a religiosa ou quem viajava para outro país. Dom Maurício explica que hoje essa compreensão é mais ampla. A vocação missionária nasce no Batismo e alcança todo cristão. Para conhecer melhor esse sacramento, veja a nossa área de sacramentos.
"Todo batizado é um missionário", afirmou. O leigo e a leiga vivem a missão na própria família, no trabalho e na sociedade. O Catecismo também ensina que os leigos recebem de Deus o apostolado, isto é, o chamado a anunciar o Evangelho, pelo Batismo e pela Crisma (CIC 900).
Isso não pede mais reuniões nem mais funções na paróquia. Pede coerência com a justiça, a fraternidade e a paz. Nas palavras do bispo, assim o cristão é sal da terra e luz do mundo, como Jesus ensina em Mt 5,13-14.
A missão começa perto: em casa, na comunidade e na pastoral. Depois chega à sociedade e pode atravessar fronteiras. No Brasil, o bispo citou o Projeto Igrejas-Irmãs, que promove a cooperação entre dioceses. Citou também o envio de missionários a Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste.
Três jeitos de colaborar com a missão
Dom Maurício resumiu em três gestos como cada fiel pode participar na prática. São caminhos ao alcance de qualquer pessoa, de qualquer idade.
- Joelhos que rezam: rezar pela missão, pelos missionários e por uma Igreja sempre em estado de missão.
- Mãos que partilham: contribuir com a coleta missionária, que ajuda o trabalho de evangelização em várias partes do mundo.
- Envio: fazer da própria vida uma missão, no trabalho, na família e no dia a dia.
O bispo lembrou ainda que o protagonista da missão é o Espírito Santo. Nós apenas cooperamos com a missão que é de Deus. Isso alivia quem se sente pouco preparado.
Cem anos do Dia Mundial das Missões
Em 2026, o Dia Mundial das Missões completa 100 anos desde que foi instituído pelo Papa Pio XI. A data é celebrada no penúltimo domingo de outubro e, neste ano, foi lembrada no domingo, dia 18. O Papa Leão XIV escolheu o tema "Um em Cristo, unidos na missão".
Para Dom Maurício, a primeira parte do tema mostra que tudo começa na união com Jesus. A intimidade com Cristo, a vivência dos sacramentos e a vida de oração tornam a pessoa mais missionária, porque a missão nasce desse encontro.
A segunda parte fala de caminhar juntos. Os diferentes dons, ministérios e vocações da Igreja cooperam na mesma missão.
Ao longo do mês, as Pontifícias Obras Missionárias (POM) oferecem a oração do Mês Missionário, roteiros para encontros, vídeos com testemunhos e a mensagem do Papa. A coleta do Dia das Missões ajuda a ação evangelizadora em territórios missionários do mundo.
O que fazer em casa e na paróquia
A fala do bispo ajuda a rever o próprio dia. Você não precisa de mais um compromisso. Basta perguntar onde, na sua rotina, o Evangelho pode aparecer no jeito de tratar as pessoas.
Uma boa ideia é reservar um momento da semana para rezar pelos missionários em família. Se faltar uma oração, o portal reúne várias na área de orações. Vale também ler juntos o envio de Jesus em Mt 28,19-20, com a ajuda da nossa seção de Bíblia.
Se a sua paróquia fizer a coleta missionária, participe com o que puder. Depois, conte em casa o que o bispo disse. Talvez alguém perceba que já vive a missão sem ter dado esse nome.
Fonte
Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de Canção Nova.
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