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Papa Leão XIV na FAO: pão não pode ser arma de guerra

Publicado em 16/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Papa Leão XIV na sacada da Basílica de São Pedro após sua eleição em 2025

Foto: Edgar Beltrán / The Pillar, CC BY-SA 4.0, adaptada

Resumo

  • Leão XIV enviou mensagem à FAO no Dia Mundial da Alimentação, lida em Roma em 16 de outubro.
  • O Papa afirma que a fome vem da falta de vontade política e de solidariedade, e que comer é direito de todos.
  • Ele pede que o pão nunca seja arma de guerra e que recursos de armas sirvam à agricultura sustentável.

O que aconteceu em Roma

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem à FAO, a agência da ONU para a alimentação e a agricultura, que tem sede em Roma. O texto foi lido na sexta-feira, 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, na cerimônia oficial do órgão.

Quem leu foi o arcebispo Fernando Chica Arellano, observador permanente da Santa Sé junto à FAO. Ou seja, é ele quem representa o Vaticano ali. A mensagem se dirige ao diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, e marca o fim do Fórum Mundial da Alimentação, realizado de 8 a 16 de outubro.

O Papa assinou o texto em 12 de outubro, um dia antes de ser internado no Hospital Gemelli para a cirurgia de retirada de um adenocarcinoma pulmonar. O tema deste ano foi "Inovar hoje para nutrir o amanhã".

Fome não é número de tabela

Leão XIV começa falando de um contraste. O mundo avança cada vez mais rápido na tecnologia, mas a fome e a pobreza continuam. Para ele, isso não é só um problema técnico ou de dinheiro. É uma crise antropológica e ética, isto é, uma crise no modo como o ser humano enxerga a si mesmo e ao próximo.

Uma frase da mensagem chama atenção: a fome "não pode ser considerada uma anomalia estatística". Segundo o Papa, ela nasce principalmente da falta de vontade política e de solidariedade coletiva. Ele também diz que a escassez de comida não é inevitável em nenhum lugar do mundo.

Daí vem o ponto central: ter acesso regular a uma alimentação segura, adequada e suficiente é um direito humano fundamental. Garanti-lo é uma obrigação de justiça, que vale para cada país e também para a comunidade internacional. Para o Papa, é intolerável que o pão seja visto como privilégio e a água como mercadoria disputada.

Inovar sem destruir a criação

O Papa não rejeita a tecnologia. Ele pede que ela sirva à pessoa e não o contrário. Para Leão XIV, a verdadeira inovação não substitui a criação. Ela exige estudar com respeito as leis que Deus colocou na natureza.

Ele dá exemplos do que não pode ser chamado de progresso: empobrecer o solo, tirar o agricultor da sua terra por interesse econômico e usar a tecnologia de forma irresponsável, só para o lucro. Segundo a mensagem, isso é "uma forma sofisticada de destruição".

O Papa lembra ainda que as sementes podem acabar nas mãos de monopólios, empresas que concentram o mercado, e isso sufoca a agricultura de pequena escala. Por isso defende a água como bem comum, algo que ninguém pode tomar para si.

O pão e a guerra

A parte mais forte do texto trata do uso político da comida. Leão XIV diz que o pão não deve ser instrumento de pressão entre países, nem um bem financeiro que sobe e desce no mercado. E acrescenta que ele nunca deve ser usado como arma de guerra.

Os pedidos do Papa podem ser resumidos assim:

  • Tirar a produção de alimentos da lógica da especulação.
  • Respeitar o agricultor e a sabedoria que ele tem da terra.
  • Proteger a água como bem de todos.
  • Pensar nas próximas gerações, pois o crescimento infinito com recursos limitados é um mito.
  • Criar uma nova ordem alimentar global, com a tecnologia subordinada à dignidade humana.
  • Redirecionar recursos da indústria de armas para a pesquisa agrícola sustentável e a recuperação de solos degradados.

Ele encerra com uma imagem do campo. O amanhã é a colheita do que semeamos hoje. Quem semeia uma inovação sem ética colhe "aridez e conflitos". Quem semeia respeito e justiça para os que passam fome colhe uma mesa farta para todos.

O que isso muda na sua casa e na paróquia

A mensagem fala de organismos internacionais, mas começa na cozinha de cada um. Toda vez que rezamos o Pai-Nosso, pedimos "o pão nosso de cada dia". Note que dizemos "nosso", e não "meu". Jesus também disse que o Juízo final olhará para quem deu de comer a quem tinha fome (Mt 25,35). Você pode reler essa passagem na seção de Bíblia do portal.

O Catecismo da Igreja Católica ensina, no número 2446, que não partilhar os bens com os pobres é, de certo modo, roubá-los. Dar esmola é um ato de justiça, e não só de bondade. Na prática, isso pode ser conversar em família sobre o desperdício de comida, apoiar a coleta de alimentos da sua paróquia ou ajudar uma pastoral social da comunidade.

Para saber mais sobre a Igreja no mundo, acompanhe as notícias do portal. Você também pode conhecer o trabalho da FAO, que o Papa citou na mensagem.

Antes da próxima refeição em família, vale uma oração curta: "Senhor, obrigado por este alimento. Lembra-Te de quem hoje não tem o que comer e ensina-nos a partilhar." Há outras orações para esse momento na seção de orações.

Fonte

Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de O São Paulo.

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