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Superior dos combonianos recorda missão na zona leste de SP

Publicado em 18/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Catedral da Sé de São Paulo com suas torres góticas

Foto: Webysther Nunes, CC BY-SA 4.0, adaptada

Resumo

  • O Padre Luigi Codianni, de 62 anos, é o Superior-Geral dos Missionários Combonianos e viveu na periferia da zona leste de São Paulo.
  • Uma noite de violência, em 1988, marcou sua vocação de ficar ao lado de jovens em risco.
  • No centenário do Dia Mundial das Missões, ele lembra que a missão é tarefa de toda comunidade, inclusive da sua paróquia.

Da zona leste de São Paulo ao comando dos combonianos

O Padre Luigi Codianni, de 62 anos, é hoje o Superior-Geral dos Missionários Combonianos, ou seja, o principal responsável pela congregação em todo o mundo. Antes disso, ele morou numa favela da zona leste de São Paulo, no bairro Parque Santa Madalena.

Em entrevista à Agência Fides, ele contou como aquele tempo no Brasil moldou sua maneira de entender a missão. A fala ganha peso agora, porque o Dia Mundial das Missões completa cem anos em 2026. A data será lembrada em 18 de outubro.

O padre vai celebrar esse dia na Itália, em encontros que querem despertar a consciência missionária e anunciar o Evangelho. Ele leva consigo os rostos das pessoas que conheceu em suas visitas às comunidades combonianas.

A noite de 1988 que mudou tudo

Certa noite, em 1988, vários jovens foram mortos no Parque Santa Madalena. O Padre Codianni vivia ali e viu de perto aquela violência. O bairro era uma favela grande, marcada pelo tráfico de drogas e por crianças e adolescentes em situação de grande risco.

Ele conta que, diante das mortes, sentiu com mais força a urgência de ficar ao lado dos mais vulneráveis. Em sua avaliação, são aqueles que a sociedade muitas vezes trata como um problema a eliminar. Para ele, são pessoas que merecem acolhida, proteção e amor.

Denunciar a violência não bastava. Era preciso dividir a vida desses jovens, caminhar com eles e escutá-los. Ele diz que precisava tentar devolver a eles dignidade, esperança e futuro.

Por isso, afirma, eles não precisavam de julgamento nem de afastamento. Precisavam encontrar alguém que reconhecesse sua humanidade e acreditasse neles, mesmo quando ninguém mais acreditava.

Primeiro a presença, depois as palavras

Dessa experiência nasceu uma convicção que ele repete até hoje. Segundo ele, antes de falar de Deus a esses jovens, é preciso fazê-los sentir que suas vidas têm valor e que não são invisíveis.

O Superior-Geral não coloca a caridade contra o anúncio da fé. Para ele, a caridade dá credibilidade ao anúncio, e o anúncio dá fundamento à caridade. Os dois caminham juntos.

Ele chama de periferias existenciais os lugares da alma onde falta sentido. Uma das mais graves, diz, é a dos jovens a quem roubaram a esperança. Para eles, a resposta missionária é uma presença constante, que diz sem muitas palavras: ninguém foi abandonado.

Missão não é só viajar para longe

O Padre Codianni lembra que, por muito tempo, missão significava sair da Europa em direção a outros continentes. O Concílio Vaticano II, a grande reunião dos bispos de todo o mundo nos anos 1960, mudou esse olhar. Cada Igreja passou a ser chamada a dar e a receber.

Esse caminho foi aprofundado por São Paulo VI, por São João Paulo II e pelo Papa Francisco, com seu pedido por uma "Igreja em saída". Quem quiser conhecer um desses textos pode ler a encíclica Redemptoris Missio, de São João Paulo II.

Nas palavras do Superior-Geral, passamos de uma "geografia da missão" para uma "cultura da missão". Missão deixou de ser algo que acontece só em lugares distantes. Ela existe onde a Igreja estiver.

O afastamento do Evangelho também não se mede em quilômetros. Pode aparecer na mesma cidade, na mesma paróquia e até dentro de uma família.

O que isso pede da sua comunidade

O Padre Codianni avisa que o Dia Mundial das Missões não deve se resumir a uma coleta anual para ajudar as missões. Ele propõe que cada paróquia use a data para se perguntar se está realmente aberta a quem ficou à margem.

Ele cita os jovens, os pobres, os migrantes e todos os que precisam de uma palavra de consolo. Alguns passos simples, inspirados nessa fala, podem começar em casa e na paróquia: - Cumprimentar e acolher quem chega sozinho à missa. - Procurar o jovem do bairro que ninguém procura. - Visitar um vizinho que vive só. - Ouvir com atenção quem pensa diferente. - Rezar pelos missionários, no Brasil e fora dele.

Segundo ele, uma comunidade se torna missionária quando escolhe sair, encontrar as pessoas, ouvi-las e acompanhá-las, em vez de esperar que venham. Nas palavras dele, a Igreja é missionária por sua própria natureza, e não apenas uma Igreja que "tem missionários".

Quem são os combonianos e o que vem pela frente

Os Missionários Combonianos seguem os passos de São Daniel Comboni, missionário do século XIX que dedicou a vida à África. Hoje são cerca de 1.450 padres e irmãos, em mais de 40 países de quatro continentes: África, Américas, Ásia e Europa.

Eles atuam na primeira evangelização, na educação, na saúde, na defesa da justiça e da paz, na ecologia e na comunicação. O instituto é cada vez mais multicultural. Para o Superior-Geral, fraternidade é aprender a conviver com as diferenças, sem deixar que virem divisões.

Ele afirma que missionários africanos, asiáticos e latino-americanos que chegam à Europa trazem fé, cultura e jeito próprio de viver em comunidade. Sobre o diálogo com outras religiões, diz que não é abrir mão da própria fé, e sim construir respeito e colaboração em favor da paz e dos pobres.

Neste Dia Mundial das Missões, marque no calendário um gesto de aproximação na sua paróquia ou na sua rua. Depois, reze pelos missionários e por um jovem que você conhece, usando uma das orações do portal. Para acompanhar outras notícias da vida da Igreja, visite a página de notícias.

Fonte

Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de O São Paulo.

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