Durante muito tempo, a Unção dos Enfermos foi chamada de extrema-unção. Por isso, muitas famílias ainda têm receio de chamar o padre. Há quem pense que, se o padre vier, é sinal de que o doente vai morrer. Esse medo faz com que muitas pessoas recebam o sacramento tarde demais, ou nem recebam.
A Igreja ensina outra coisa. Pela santa unção e pela oração dos padres, toda a Igreja entrega os doentes ao Senhor, para que Ele os alivie e os salve (§1499). É um sacramento de força e de consolo, não um aviso de morte.
O parágrafo 1515 dá exemplos concretos. É conveniente receber a Unção antes de uma cirurgia importante. O mesmo vale para os idosos cuja fragilidade se acentua, mesmo sem uma doença específica. Pense em quem tem uma doença grave, um câncer, uma insuficiência cardíaca, ou em quem está muito debilitado pela idade.
A Unção pode ser repetida. Se o doente se recupera e depois adoece gravemente de novo, pode receber outra vez. Durante a mesma doença, também pode ser repetida se o quadro se agravar (§1515 e cânon 1004).
De onde vem este sacramento
Os Evangelhos mostram a compaixão de Jesus pelos doentes. As muitas curas que Ele realizou eram sinal de que Deus visitava o seu povo (§1503). Jesus também enviou os discípulos para cuidar dos doentes.
A Igreja dos Apóstolos já conhecia um rito próprio, descrito na Carta de São Tiago: "Alguém de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor" (Tiago 5,14). O Catecismo cita esse texto como base do sacramento (§1510).
Na tradição do Oriente e do Ocidente, há testemunhos antigos de unções de doentes com óleo benzido (§1512). Em 1972, depois do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI reformou o rito, que é o usado hoje (§1513).
O que a Unção faz
A primeira graça do sacramento é de conforto, paz e coragem para enfrentar as dificuldades da doença grave ou da velhice (§1520). Ela ajuda o doente a não cair no desânimo nem na angústia diante da morte. A Unção pode trazer também a recuperação da saúde, se isso for conveniente para a salvação da pessoa (§1532).
O sacramento também perdoa os pecados, se o doente não pôde obtê-lo pela confissão (§1532). Isso é um grande consolo para famílias de pessoas que já não conseguem falar. Mesmo assim, sempre que o doente puder, a confissão individual deve vir antes, porque é o caminho ordinário do perdão.
Além disso, a Unção une o doente à paixão de Cristo. O sofrimento ganha um sentido novo e se torna participação na obra de salvação de Jesus (§1521). O doente contribui para o bem de todo o povo de Deus (§1522). E, para quem está no fim da vida, o sacramento é uma preparação para a passagem final (§1523).
Quem administra
Só os sacerdotes, isto é, bispos e padres, podem administrar a Unção dos Enfermos (§1516 e cânon 1003). Diáconos, ministros extraordinários da comunhão e agentes da Pastoral da Saúde não podem dar esse sacramento. Eles podem, porém, rezar com o doente e levar a comunhão.
O Catecismo lembra que é dever dos pastores ensinar os fiéis sobre os benefícios deste sacramento. E pede que os fiéis animem os doentes a chamar o padre (§1516). O Código também pede aos parentes que procurem fazer com que os doentes recebam o sacramento em tempo oportuno (cânon 1001).
Passo a passo: como chamar o padre
Primeiro, não espere a última hora. O ideal é que o doente esteja consciente, para participar, se confessar e comungar. Fale com ele com carinho e explique que o sacramento traz força e paz.
Segundo, entre em contato com a secretaria da paróquia mais próxima da casa ou do hospital. Informe o nome do doente, o endereço, o estado de saúde e um telefone. Muitas paróquias têm um número para urgências. Em hospitais, pergunte se existe capelania católica ou um padre de referência; a forma de atendimento varia de lugar para lugar.
Terceiro, prepare o ambiente, se for em casa. Uma mesa pequena com toalha branca, um crucifixo e uma vela acesa ajudam a criar um clima de oração. Se o doente for comungar, um copo com água pode ser útil. Reúna a família, desligue a televisão e mantenha o silêncio.
Como é a celebração
A Unção é uma celebração da Igreja, mesmo quando acontece em casa ou no hospital, com poucas pessoas (§1517). Pode começar com um ato de arrependimento e uma leitura da Palavra de Deus (§1518). Se o doente puder, é bom que se confesse antes.
Os momentos principais são três. O padre impõe as mãos sobre o doente em silêncio, reza na fé da Igreja e faz a unção com o óleo dos enfermos, benzido, se possível, pelo bispo (§1519). A unção é feita na testa e nas mãos.
Enquanto unge, o padre diz uma fórmula curta. Ele pede que, por esta santa unção e por sua infinita misericórdia, o Senhor venha em auxílio do doente com a graça do Espírito Santo. Pede também que Deus o liberte dos pecados, o salve e alivie os seus sofrimentos (§1513). O doente ou a família responde "Amém".
O Viático e os últimos momentos
Para quem está perto de deixar esta vida, a Igreja oferece, além da Unção, a Eucaristia como Viático. A palavra quer dizer alimento para a viagem. É a comunhão recebida no momento da passagem para o Pai (§1524). O Código pede que os fiéis em perigo de morte sejam confortados com a comunhão em forma de Viático (cânon 921).
O Catecismo também pede que os moribundos recebam toda a atenção, para viverem os últimos momentos com dignidade e paz, ajudados pela oração dos que estão perto (§2299). Rezar o terço, ler um Salmo ou simplesmente segurar a mão do doente faz parte desse cuidado.
Perguntas que muita gente faz
O doente está inconsciente. Ainda pode receber? Pode. O Código manda administrar o sacramento aos doentes que, quando estavam conscientes, ao menos implicitamente teriam pedido por ele (cânon 1006). Em caso de dúvida se a pessoa está viva, também se administra (cânon 1005).
E se a pessoa já faleceu? Os sacramentos são para os vivos. Se o padre chegar depois da morte, ele reza pelo falecido e pela família. Por isso a importância de chamar cedo.
A paróquia faz celebrações comunitárias? Sim, em muitas paróquias há celebrações da Unção para vários doentes e idosos ao mesmo tempo, conforme as orientações do bispo (cânon 1002). Pergunte na sua comunidade. Veja também a categoria Sacramentos, as Orações pelos doentes e a história de Santa Rita, muito invocada nas causas difíceis. O Catecismo pode ser lido no site do Vaticano.