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Os discípulos de Emaús: o caminho da fé

Publicado em 14/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Pintura de Caravaggio com Jesus ressuscitado à mesa, com a mão erguida sobre o pão, e dois discípulos surpresos ao reconhecê-lo

Foto: Caravaggio (1601), National Gallery de Londres, Domínio público

Resumo

  • No domingo da ressurreição, dois discípulos voltam desanimados de Jerusalém, e Jesus caminha com eles sem ser reconhecido.
  • O estudo lê o texto passo a passo e mostra como a cena tem a mesma estrutura da Missa: Palavra e pão partido.
  • Traz o ensino do Catecismo (§1329 e §1347), a carta Mane nobiscum Domine, aplicação para hoje e perguntas.

O contexto: o domingo da ressurreição

O episódio de Emaús acontece “naquele mesmo dia” (Lc 24,13), o primeiro dia da semana. Pela manhã, as mulheres tinham encontrado o túmulo vazio e ouvido dos anjos que Jesus estava vivo. Mas os apóstolos acharam que aquilo era delírio (Lc 24,11).

À tarde, dois discípulos deixam Jerusalém e caminham para Emaús, um povoado a uns sessenta estádios da cidade, cerca de onze quilômetros (Lc 24,13). Um deles se chama Cléofas (Lc 24,18). O outro não tem nome no texto, e muitos autores veem nisso um convite: o leitor pode ocupar esse lugar vazio.

Só Lucas conta essa história com detalhes. Marcos faz apenas uma breve menção a dois discípulos que caminhavam pelo campo (Mc 16,12). O relato de Lucas é uma pequena obra-prima, com começo, meio e fim, e uma estrutura que os cristãos logo reconheceram.

Leitura passo a passo: o caminho da tristeza (Lc 24,13-24)

Os dois conversam sobre tudo o que tinha acontecido. Então o próprio Jesus se aproxima e caminha com eles, mas “os seus olhos estavam impedidos de reconhecê-lo” (Lc 24,16). Jesus não se impõe. Ele começa perguntando: do que vocês estão falando pelo caminho?

Eles param, com o rosto triste. Cléofas se espanta: será que esse homem é o único em Jerusalém que não sabe o que aconteceu? E então os dois contam a história de Jesus de Nazaré, profeta poderoso, entregue à morte pelos chefes.

A frase central do desânimo vem aqui: “Nós esperávamos que fosse ele quem iria libertar Israel” (Lc 24,21). Esperávamos, no passado. A esperança deles tinha morrido na cruz. Eles até contam que as mulheres falaram de anjos e de um túmulo vazio, mas isso não bastou para acender a fé.

É interessante notar que Jesus deixa os dois falarem tudo. Ele escuta antes de ensinar. Essa paciência é parte do método de Deus.

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