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Imagem de São Calisto I

São Calisto I

Padroeiro dos cemitérios e de quem recomeça a vida.

Festa em 14 de outubro

Escravo que se tornou papa no século III. Cuidou do cemitério dos cristãos em Roma, defendeu o perdão aos arrependidos e morreu mártir.

Roma no fim do século II

São Calisto viveu em Roma entre o fim do século II e o começo do século III. Naquele tempo, o cristianismo ainda não era aceito pelo Império Romano. Os cristãos podiam ser denunciados, presos e mortos a qualquer momento, embora as perseguições viessem em ondas, com períodos de relativa calma.

A Igreja de Roma já era grande e organizada. Tinha bispos, padres, diáconos e muitos fiéis de todas as classes sociais, de senadores a escravos. A comunidade cuidava das viúvas, dos órfãos e dos pobres com o dinheiro das esmolas.

Também era um tempo de debates. Grupos diferentes discutiam como entender a Santíssima Trindade e como tratar os cristãos que cometiam pecados graves. É nesse cenário que aparece Calisto, um homem que começou a vida como escravo e terminou como papa e mártir.

De escravo a condenado

Calisto nasceu em Roma, numa condição de escravo. O seu senhor era um cristão chamado Carpóforo, que confiou a ele a administração de um dinheiro. Segundo o relato antigo, ali estavam também economias de viúvas e de outros cristãos. O negócio deu errado, o dinheiro se perdeu e Calisto, com medo, tentou fugir.

Ele foi capturado perto do porto de Roma. Algum tempo depois, envolveu-se numa confusão com judeus da cidade e foi denunciado como cristão. Por isso, acabou condenado a trabalhos forçados nas minas da Sardenha, um castigo duríssimo, do qual muitos não voltavam.

É importante saber que a maior parte dessas informações vem de um adversário de Calisto, o sacerdote Hipólito. Ele escreveu sobre o papa com muita hostilidade. Por isso, os historiadores leem esses detalhes com cautela. Mesmo assim, o essencial parece certo: Calisto conheceu a queda, a vergonha e a prisão.

A libertação e o recomeço

Anos depois, os cristãos presos na Sardenha foram libertados graças à intervenção de pessoas próximas à corte do imperador. Calisto voltou com eles. Como estava com a saúde abalada, foi mandado para Âncio, uma cidade perto de Roma, para se recuperar. O papa Vítor I lhe deu uma pensão para viver.

Depois, o papa Zeferino chamou Calisto para trabalhar ao seu lado. Por volta do ano 199, Calisto foi ordenado diácono. A partir daí, tornou-se o principal colaborador do papa.

A história de Calisto é a de alguém que caiu, sofreu as consequências e recomeçou. A Igreja não o descartou por causa do passado. Pelo contrário, confiou a ele tarefas importantes. Por isso, ele fala tanto a quem precisa de uma segunda chance.

O guardião das catacumbas

O papa Zeferino entregou a Calisto o cuidado do cemitério dos cristãos na Via Ápia, uma das estradas mais importantes de Roma. Ali eram sepultados os mártires e vários papas. Calisto organizou e ampliou o lugar, que hoje leva o seu nome: as Catacumbas de São Calisto.

Segundo o site oficial das catacumbas, ali foram sepultados cerca de meio milhão de cristãos, entre eles dezenas de mártires e 16 papas. A chamada Cripta dos Papas é um dos lugares mais visitados. Outro ponto conhecido é a cripta de Santa Cecília, a mártir romana padroeira dos músicos.

Para os primeiros cristãos, cuidar dos mortos era um gesto de fé na ressurreição. As catacumbas não eram esconderijo, como às vezes se diz, mas lugar de sepultura e de oração junto aos que tinham dado testemunho de Cristo. Desde 1930, os salesianos de Dom Bosco acolhem os visitantes e fazem as visitas guiadas. O site oficial das Catacumbas de São Calisto traz horários e informações.

Os símbolos cristãos das catacumbas

Quem visita as catacumbas de São Calisto encontra nas paredes e nos túmulos desenhos simples, feitos pelos primeiros cristãos. Eles funcionavam como uma linguagem da fé, numa época em que não havia igrejas públicas.

O peixe é um dos mais conhecidos. Em grego, a palavra peixe se escreve ICHTHYS, e cada letra forma as iniciais da frase "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador". O Bom Pastor, um jovem com uma ovelha nos ombros, lembra Jesus que vai atrás da ovelha perdida. É uma imagem que combina muito com a vida de Calisto.

Há também a âncora, sinal da esperança firme, e a pomba, sinal da paz e da alma que descansa em Deus. Muitas inscrições trazem frases curtas, como pedidos para que o falecido viva em Deus ou descanse em paz.

Esses sinais mostram que os primeiros cristãos não tinham medo da morte. Eles a viam como passagem. Por isso, os cemitérios eram chamados de dormitórios, lugares onde os mortos dormem à espera da ressurreição. A própria palavra cemitério vem de um termo grego que quer dizer dormitório.

O papa da misericórdia

Por volta do ano 217, com a morte de Zeferino, Calisto foi eleito bispo de Roma, ou seja, papa. O seu pontificado durou poucos anos, até cerca de 222.

Calisto enfrentou uma discussão dura dentro da Igreja. Alguns cristãos achavam que certos pecados graves, como o adultério e o homicídio, nunca poderiam ser perdoados pela Igreja. Calisto defendeu que quem se arrepende de verdade pode ser acolhido de volta, depois de fazer penitência.

Ele também reconheceu como válidos casamentos entre cristãs livres e homens de condição mais baixa, inclusive escravos, que a lei romana não aceitava. Para um homem que tinha sido escravo, era uma forma de afirmar que todos são iguais diante de Deus.

Essa visão misericordiosa marcou a história da Igreja. Hoje, quando nos confessamos e recebemos o perdão, estamos ligados a essa mesma convicção. Saiba mais sobre a confissão na seção de sacramentos.

O conflito com Hipólito

A posição de Calisto foi duramente criticada por Hipólito, um sacerdote muito culto de Roma. Hipólito achava o papa fraco demais com os pecadores. O conflito foi tão sério que ele chegou a se separar da Igreja e a ser eleito bispo por um pequeno grupo. Por isso, muitos historiadores o consideram o primeiro antipapa.

A história, porém, terminou de um jeito bonito. Anos depois da morte de Calisto, Hipólito foi exilado na Sardenha junto com o papa Ponciano. Ali, segundo a tradição, os dois se reconciliaram. Hipólito também morreu mártir e hoje é venerado como santo, junto com Ponciano.

Essa reviravolta ensina muito. Calisto defendia que ninguém está perdido para sempre. O próprio adversário dele acabou mostrando que ele tinha razão.

Martírio e sepultura

São Calisto morreu por volta do ano 222, provavelmente durante uma revolta popular contra os cristãos em Roma. A tradição conta que ele foi jogado num poço no bairro do Trastevere. No lugar, existe hoje a igreja de São Calisto, perto da basílica de Santa Maria em Trastevere.

Curiosamente, Calisto não foi sepultado nas catacumbas que levam o seu nome. Ele foi enterrado no cemitério de Calepódio, na Via Aurélia, do outro lado da cidade. No século IX, as suas relíquias foram levadas para a basílica de Santa Maria em Trastevere, onde estão até hoje.

As catacumbas de São Calisto ficaram esquecidas durante séculos. Só em 1849 o arqueólogo Giovanni Battista de Rossi as redescobriu e começou a estudá-las.

A memória de 14 de outubro

A Igreja celebra São Calisto I em 14 de outubro, como memória facultativa, segundo o calendário litúrgico. Nesse dia, em Roma, há celebrações na igreja de São Calisto, no Trastevere, e nas catacumbas.

No Brasil, a memória de São Calisto é mais discreta do que a de outros santos. Mesmo assim, como a memória está no calendário da Igreja, o padre pode celebrá-la na missa do dia.

O Vatican News resume a sua vida na página de santos do dia de 14 de outubro: escravo, exilado na Sardenha, guardião do cemitério da Via Ápia, papa e mártir.

Curiosidades sobre São Calisto

O nome Calisto vem do grego e quer dizer muito belo. É curioso que um homem com uma história tão cheia de quedas tenha um nome assim. Para os cristãos, a beleza dele está na conversão e na misericórdia.

Calisto é um dos papas mais antigos de quem temos informações biográficas detalhadas, mesmo que vindas de um adversário. Isso faz dele uma figura importante para os historiadores da Igreja primitiva.

Em português, o nome também aparece escrito como Calixto, uma forma antiga. As duas grafias se referem ao mesmo santo. Veja outras histórias da Igreja na seção de curiosidades.

Como pedir a intercessão de São Calisto

São Calisto é lembrado como padroeiro dos cemitérios e invocado por quem precisa recomeçar a vida depois de um erro. Também pode ser lembrado por quem perdeu dinheiro, por quem saiu da prisão e por quem se sente julgado pelo passado.

Uma forma bonita de rezar com ele é no Dia de Finados, ao visitar o túmulo dos parentes. Peça a São Calisto que interceda pelos falecidos e que aumente em você a fé na ressurreição.

A Igreja dedica o dia 2 de novembro à oração por todos os fiéis falecidos. É uma boa data para lembrar de São Calisto, o papa que cuidou dos túmulos dos primeiros cristãos. Você entende melhor o sentido dessa celebração na seção de liturgia.

Outra forma é rezar por alguém que errou e precisa de uma nova chance, talvez um filho, um amigo ou você mesmo. Calisto lembra que Deus não desiste de ninguém. Veja mais orações do portal e conheça outros santos que viveram a misericórdia, como São Francisco.

O que significa a imagem de São Calisto

Imagem de São Calisto I
Manto vermelho
A cor dos mártires, que deram a vida por Cristo.
Pálio branco com cruzes
A faixa de lã usada pelo papa, sinal do pastor que carrega as ovelhas nos ombros.
Tiara ou vestes papais
Lembram que ele foi bispo de Roma, sucessor de São Pedro.
Barba branca e olhar sereno
A sabedoria de quem conheceu a queda e o perdão.
Poço ou pedra no pescoço
Em algumas imagens antigas, lembram a tradição de que ele foi jogado num poço.

Para saber mais: Catacumbas de São Calisto.

Oração a São Calisto I

Mãos em oração

São Calisto, que conhecestes a queda, a prisão e o recomeço, intercedei por quem precisa de uma segunda chance. Vós que cuidastes dos túmulos dos mártires, olhai pelos nossos falecidos e aumentai em nós a esperança da ressurreição. Ensinai-nos a perdoar como Deus perdoa e a nunca desistir de ninguém. Amém.

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