Os Dez Mandamentos foram dados por Deus a Moisés no monte Sinai, há mais de três mil anos. A palavra técnica é Decálogo, que quer dizer literalmente "dez palavras" (§2056). Muita gente pensa que se trata de regras antigas, feitas para outro tempo. A Igreja ensina o contrário.
O Catecismo afirma que os mandamentos exprimem os deveres fundamentais do ser humano com Deus e com o próximo. Por isso são, no essencial, imutáveis e obrigam sempre e em todo lugar (§2072). O Concílio de Trento e o Concílio Vaticano II também lembram que os cristãos continuam obrigados a cumpri-los (§2068).
No Brasil, a catequese usa uma fórmula curta, fácil de decorar. São estes: 1. Amar a Deus sobre todas as coisas. 2. Não tomar seu santo nome em vão. 3. Guardar domingos e festas de guarda. 4. Honrar pai e mãe. 5. Não matar. 6. Não pecar contra a castidade. 7. Não furtar. 8. Não levantar falso testemunho. 9. Não desejar a mulher do próximo. 10. Não cobiçar as coisas alheias.
Os textos completos estão na Bíblia, em Êxodo 20 e Deuteronômio 5. Vale a pena ler direto na fonte; a seção de Bíblia do portal ajuda quem está começando.
Existem pequenas diferenças na forma de numerar os mandamentos entre católicos, ortodoxos e protestantes. A tradição católica segue a divisão de Santo Agostinho (§2066), que junta numa só palavra a proibição dos ídolos e separa os dois desejos finais. O conteúdo é o mesmo; muda só a contagem.
Primeiro e segundo: Deus no centro
O primeiro mandamento pede que Deus ocupe o primeiro lugar. Hoje, os ídolos raramente são estátuas. Podem ser o dinheiro, o trabalho sem limite, a aparência, a opinião dos outros. Também vão contra este mandamento a superstição, a magia e a confiança em horóscopo para decidir a vida (§2084 em diante).
O segundo mandamento manda respeitar o nome de Deus (§2142). Isso inclui não usar o nome de Deus para xingar, não fazer juramento falso e cumprir as promessas feitas a Deus. Também vale para o nome de Nossa Senhora e dos santos. Uma pergunta para o exame de consciência: falo de Deus com respeito, inclusive nas redes sociais?
Terceiro: o domingo no mundo conectado
O terceiro mandamento fala de santificar o dia do Senhor (§2168). Para os cristãos, esse dia é o domingo, dia da ressurreição. A Igreja determina que, nos domingos e festas de preceito, os fiéis participem da Missa (§2180 e §2181).
O Código de Direito Canônico explica que o preceito também é cumprido na Missa da véspera, à tarde (cânon 1248). Por isso a Missa de sábado à noite vale para o domingo. Quem não pode ir por um motivo sério, como doença ou cuidado de um bebê, não peca. Nesses casos, a Igreja recomenda acompanhar a liturgia de outra forma e rezar.
O domingo também é dia de descanso. O Catecismo pede que se evitem trabalhos e negócios que impeçam o culto a Deus, a alegria do dia e o convívio da família (§2185). Na prática, isso pode significar desligar o celular do trabalho, almoçar com a família ou visitar um parente doente.
Quarto: pais, filhos e os anos da velhice
O quarto mandamento é o primeiro que fala do próximo e começa pela família (§2197). Para quem tem mais de 40 anos, ele costuma ganhar um sentido novo: cuidar dos pais que envelhecem.
O Catecismo é claro: os filhos adultos devem dar ajuda material e moral aos pais na velhice, na doença, na solidão ou na dificuldade (§2218). Isso não exige que todos cuidem do mesmo jeito. Exige presença, paciência e responsabilidade. Visitar, telefonar e participar das decisões de saúde fazem parte deste mandamento.
O mandamento também se aplica ao contrário: pais devem respeitar os filhos adultos e suas escolhas de vida, e a sociedade deve respeitar as autoridades legítimas.
O Catecismo lembra ainda que a honra devida aos pais nasce da paternidade de Deus, fonte de toda paternidade humana (§2214). Rezar pelos pais, vivos ou falecidos, também é uma forma de cumprir este mandamento.
Quinto e sexto: a vida e o amor
O quinto mandamento defende a vida humana, que é sagrada desde o início até o fim natural (§2258). Ele proíbe o homicídio (§2268) e também a eutanásia (§2277). Ao mesmo tempo, pede respeito especial aos doentes e às pessoas com deficiência (§2276). Cuidar da própria saúde, dirigir com prudência e evitar ódio e vingança também entram aqui.
O sexto mandamento trata da castidade, que o Catecismo define como a integração da sexualidade na pessoa (§2337). Ela vale para todos: para os casados, como fidelidade; para os solteiros, como domínio de si. Hoje, este mandamento toca em temas como pornografia na internet, traição por aplicativos de mensagem e respeito ao corpo do outro.
Sétimo e oitavo: os bens e a verdade
O sétimo mandamento proíbe tomar ou reter injustamente o que é do outro (§2401). Ele vai além do roubo. Entra aqui sonegar, não pagar dívidas, fazer trabalho mal feito, pagar salário injusto e desperdiçar o que poderia ajudar quem precisa.
O oitavo mandamento proíbe falsear a verdade (§2464). A mentira é dizer o falso com a intenção de enganar (§2482). O Catecismo também condena o juízo temerário, a maledicência e a calúnia, que ferem a reputação das pessoas (§2477).
Este mandamento ficou muito atual com as redes sociais. Antes de compartilhar uma notícia, vale perguntar: é verdade? Eu conferi? Isso pode prejudicar alguém? Repassar boato também é falta contra a verdade.
Nono e décimo: o coração
Os dois últimos mandamentos olham para dentro. O nono trata do desejo desordenado da carne (§2514). O décimo, da cobiça dos bens dos outros, que é a raiz do roubo e da fraude (§2534).
Eles mostram que a vida moral não se resume ao que fazemos. Também importa o que alimentamos no coração. A inveja do carro do vizinho, da viagem do colega ou do sucesso de um irmão pode envenenar a alegria. O remédio é a gratidão pelo que se tem e a confiança em Deus.
Perguntas que muita gente faz
Quebrar um mandamento é sempre pecado grave? Não. O Catecismo explica que o pecado mortal exige matéria grave, plena consciência e consentimento deliberado (§1857). Muitas faltas são pecados veniais, que enfraquecem a caridade, mas não a destroem (§1862 e §1863). Mesmo assim, todos merecem atenção.
Os mandamentos não são só proibições? A forma negativa é a mais conhecida, mas cada "não" protege um bem: a vida, a família, a verdade, a liberdade. Jesus mostrou que o caminho é o amor, que vai muito além do mínimo.
Como usar os mandamentos para me confessar? É o roteiro mais usado no exame de consciência. Veja a matéria sobre a confissão na categoria Sacramentos e outros estudos em Catecismo.
A explicação completa de cada mandamento está na terceira parte do Catecismo, que pode ser lida no site do Vaticano.