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Conselho Permanente da CNBB reúne bispos em Brasília

Publicado em 21/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Fiéis no interior de igreja matriz em Minas Gerais antes da missa

Foto: HVL, CC BY 4.0, adaptada

Resumo

  • A CNBB abriu em Brasília, na terça-feira, 20, a 120ª reunião do Conselho Permanente, que vai até quinta, 22.
  • O cardeal Jaime Spengler falou de polarização, notícias falsas e do cuidado com os pobres e os povos indígenas.
  • Os bispos refletiram sobre os desafios para colocar em prática as Diretrizes da Ação Evangelizadora 2026-2032.

Bispos se reúnem em Brasília por três dias

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu, nesta terça-feira, 20 de outubro, a 120ª reunião do seu Conselho Permanente. O encontro acontece na sede da entidade, em Brasília (DF), e vai até quinta-feira, 22.

O Conselho Permanente funciona como uma coordenação que se reúne entre as grandes assembleias dos bispos. Participam os bispos presidentes dos regionais (as divisões da CNBB por estados) e os presidentes das comissões de trabalho da Conferência.

A pauta trata da missão de evangelizar, da realidade do país e das atividades pastorais. São temas que, no fim das contas, chegam até a sua paróquia.

Cardeal Spengler fala de polarização e de confiança

Na abertura, o presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, saudou os participantes. Em sua reflexão, apontou três desafios que atingem a sociedade e a Igreja: a polarização, a disseminação de informações falsas e o enfraquecimento do compromisso com a comunidade.

O cardeal lembrou que o cidadão tem papel na vida social e política. Para isso, disse ele, são necessárias informações confiáveis, espaços de diálogo e condições para exercer a cidadania.

Dom Jaime também pediu atenção a quem vive na pobreza, aos povos indígenas e às pessoas que têm dificuldade de acesso a uma boa educação e a um futuro digno. Segundo ele, essa realidade deve orientar os pensamentos, os sentimentos e as ações dos cristãos.

Os bispos receberam ainda uma análise da realidade do país, preparada por um grupo de estudos como material de apoio. A própria CNBB esclareceu que o documento não representa a opinião oficial da Conferência. O texto terminou com um convite: “construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social”.

Núncio pede escuta do Espírito Santo e secretário apresenta números

O núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, também falou aos bispos. O núncio é o representante do Papa no país. Ele levou uma mensagem de proximidade e comunhão com a Igreja brasileira.

Dom Giambattista destacou a importância de discernir, isto é, rezar e avaliar com calma os caminhos pastorais. Pediu que os bispos escutem o Espírito Santo para reconhecer as necessidades do povo e responder com sabedoria, coragem e caridade.

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, apresentou dados atualizados sobre o episcopado. Veja os números:

  • O Brasil tem hoje 498 bispos.
  • São 325 em atividade, entre diocesanos (que governam uma diocese), coadjutores e auxiliares (que ajudam o bispo titular).
  • Outros 173 são eméritos, ou seja, já se aposentaram.
  • Nove arquidioceses e dioceses estão com a sede vacante, sem bispo titular no momento.

Como colocar em prática as novas diretrizes da evangelização

Outro destaque do primeiro dia foi a reflexão de dom Joel Portella sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032. Elas são o documento que orienta as prioridades das dioceses e paróquias para os próximos anos.

Dom Joel citou o que ajuda a aplicar o documento: a legitimidade, o conteúdo, a ligação com a realidade e a abrangência das orientações. Também listou seis tipos de dificuldade e apontou desafios bem concretos para a vida da comunidade:

  • superar uma pastoral apenas de conservação, que repete o que sempre foi feito;
  • vencer o clericalismo, quando tudo gira em torno do padre;
  • acabar com a falta de transparência e com a cultura do silêncio;
  • dar mais espaço a mulheres, jovens e pessoas com deficiência;
  • equilibrar a autonomia de cada região com as orientações comuns da CNBB.

O bispo lembrou que planos e documentos não bastam. É preciso mudar mentalidades, processos e estruturas, fortalecendo a sinodalidade, que é a Igreja caminhando junto, com participação de todos. Ele destacou ainda o valor do testemunho, do diálogo e da comunhão na evangelização de hoje.

O que ainda vem pela frente na reunião

A programação segue até quinta-feira, 22. Entre os assuntos previstos estão:

  • a acolhida dos estatutos da Cáritas Brasileira e da Sociedade Brasileira de Canonistas (especialistas em direito da Igreja);
  • a apresentação de uma pesquisa nacional da Pastoral Carcerária sobre os efeitos da prisão na vida dos familiares dos presos;
  • reflexões sobre o Congresso Eucarístico e a Pesquisa Nacional da Juventude;
  • as comemorações dos 75 anos da CNBB;
  • os informes dos regionais.

Para acompanhar outras notícias da Igreja no país, visite a nossa página de notícias. Os comunicados oficiais podem ser consultados no site da CNBB.

O que isso muda na sua comunidade

Decisões tomadas em Brasília parecem distantes, mas chegam à paróquia em forma de prioridades, formações e grupos. Quando os bispos falam de participação, estão falando também de você, que ajuda na catequese, na pastoral ou no canto da missa.

Há gestos simples ao alcance de qualquer família. Antes de repassar uma mensagem no grupo, confira se a informação é confiável. Em uma conversa difícil, procure ouvir antes de responder. E converse com o seu pároco sobre como a comunidade pode acolher melhor jovens, mulheres e pessoas com deficiência.

Jesus ensinou: “Felizes os que promovem a paz” (Mt 5,9). Vale ler esse trecho em família, na Bíblia, e rezar pelos bispos nestes dias, com uma das orações do portal.

Fonte

Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de O São Paulo.

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