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Imagem de Santos João de Brébeuf, Isaac Jogues e companheiros, mártires

Santos João de Brébeuf, Isaac Jogues e companheiros, mártires

Padroeiro do Canadá e dos missionários, por devoção popular.

Festa em 19 de outubro

Oito missionários franceses deram a vida pelo Evangelho entre os povos originários da América do Norte. Conheça a história de Brébeuf, Jogues e companheiros.

Quem foram esses mártires

No dia 19 de outubro, a Igreja lembra oito homens que anunciaram Jesus no século XVII. Eles viveram no território que hoje pertence ao Canadá e ao nordeste dos Estados Unidos. A liturgia os celebra sempre juntos. Por isso o nome oficial é longo: Santos João de Brébeuf, Isaac Jogues e companheiros, mártires.

Seis eram padres jesuítas, ou seja, membros da Companhia de Jesus, ordem fundada por Santo Inácio de Loyola. Os outros dois eram leigos que ajudavam os missionários. Na época, eram chamados de “donnés”, palavra francesa para quem se entregava ao serviço da missão sem ser padre.

Todos nasceram na França. Deixaram família, país e conforto para viver entre povos originários que ainda não conheciam o Evangelho. Aprenderam línguas difíceis, dividiram a comida simples das aldeias e enfrentaram invernos muito duros. Morreram entre 1642 e 1649.

A Igreja os reconhece como mártires. O Catecismo define o martírio como o supremo testemunho dado à verdade da fé (CIC 2473). Esses homens conheciam os riscos e permaneceram em seus postos. Por isso a Igreja os celebra como testemunhas de Cristo até o fim.

Desde os primeiros séculos, os cristãos honram os mártires. Jesus avisou que os discípulos seriam perseguidos por causa Dele (Jo 15,20). No século III, o escritor Tertuliano afirmou que o sangue dos mártires é semente de novos cristãos (Apologético, 50). A Igreja guarda a memória desses oito homens com a mesma confiança.

A época: a Nova França e seus povos

No início de 1600, a França fundou colônias no vale do rio São Lourenço, região chamada de Nova França. Quebec nasceu em 1608. Os comerciantes buscavam peles. Os missionários buscavam outra coisa: levar o Evangelho, como Jesus pediu aos discípulos (Mt 28,19).

Naquela terra viviam muitos povos. Os huronianos, também chamados de wendat, moravam em aldeias fortificadas perto do lago Huron. Plantavam milho e comerciavam com os franceses. Ao sul, na atual região de Nova York, viviam os povos da Confederação Iroquesa, entre eles os mohawks.

Esses povos viviam em guerra, por causa do comércio de peles e de territórios. Doenças trazidas da Europa, como a varíola, também atingiram as aldeias e causaram muitas mortes. Alguns moradores culpavam os padres pelas epidemias. Esse clima de medo e desconfiança pesou sobre os missionários.

Para chegar às aldeias huronianas, os missionários subiam rios em canoas, carregavam os pertences nos trechos de terra e dormiam ao relento. A viagem de Quebec até a região do lago Huron levava semanas.

Esse contexto ajuda a ler a história com justiça. Os povos originários tinham culturas próprias e disputas políticas próprias. Os missionários foram atingidos por um conflito maior, e a Igreja os reconhece como mártires pela fé que viveram e anunciaram.

João de Brébeuf, o missionário dos huronianos

João de Brébeuf nasceu em 1593, na Normandia, região do norte da França. Entrou na Companhia de Jesus e foi ordenado padre. Em 1625, chegou a Quebec. No ano seguinte, partiu para a terra dos huronianos, numa viagem de canoa e a pé que durava semanas.

Lá, estudou a língua do povo com dedicação. Preparou textos de catequese, isto é, de ensino da fé, para falar de Jesus em palavras que as pessoas entendessem. Em 1629, os ingleses tomaram Quebec e ele voltou à França. Em 1633, retornou ao Canadá e retomou o trabalho.

Os huronianos o chamavam de Echon. Brébeuf conviveu com fome, doenças e desconfiança. Mesmo assim, permaneceu nas aldeias, visitou os doentes e batizou os que pediam o sacramento.

Ele também escreveu conselhos para os missionários recém-chegados. Pedia paciência, bom humor e respeito pelos costumes locais. Os jesuítas ainda enviavam à França relatórios anuais, conhecidos como Relações dos Jesuítas. Hoje, esses textos ajudam os historiadores a conhecer aquele tempo.

A tradição atribui a Brébeuf o canto de Natal “Jesous Ahatonhia”, escrito na língua wendat. O canto conta o nascimento de Jesus com imagens da vida local.

Em março de 1649, guerreiros iroqueses atacaram a aldeia de Saint-Ignace. Brébeuf e o padre Gabriel Lalemant foram capturados. Brébeuf morreu em 16 de março, e Lalemant no dia seguinte. Os relatos da época dizem que os dois permaneceram firmes na fé até o fim.

Isaac Jogues e René Goupil

Isaac Jogues nasceu em Orléans, na França, em 1607. Entrou na Companhia de Jesus e chegou ao Canadá em 1636. Trabalhou entre os huronianos e aprendeu a viver com poucos recursos.

Em agosto de 1642, durante uma viagem pelo rio, Jogues foi capturado por um grupo mohawk. Com ele estavam René Goupil, leigo que trabalhava como cirurgião e cuidava dos doentes, e companheiros huronianos. Os prisioneiros foram levados à aldeia de Ossernenon, na atual região de Nova York. Ali sofreram maus-tratos, e as mãos de Jogues ficaram feridas.

Em 29 de setembro de 1642, René Goupil foi morto. Segundo os relatos, ele havia feito o sinal da cruz sobre crianças da aldeia. Foi o primeiro dos oito a dar a vida.

Jogues escapou em 1643, com a ajuda de holandeses que viviam na região, e voltou à França. Pelas normas da época, as mãos feridas dificultavam a celebração da missa. A tradição conta que o Papa Urbano VIII lhe concedeu licença especial para celebrar mesmo assim.

Jogues poderia ter ficado em segurança na Europa. Escolheu voltar ao Canadá, em 1644. Em 1646, aceitou ir como emissário de paz aos mohawks, acompanhado por Jean de Lalande, jovem leigo. Jogues foi morto em 18 de outubro de 1646. Lalande morreu logo depois, em 19 de outubro.

Os outros companheiros e o fim da missão

Outros missionários também deram a vida nessa mesma missão. Veja os oito nomes que a Igreja celebra, com o ano da morte de cada um.

  • René Goupil, leigo e cirurgião, morto em 1642.
  • Isaac Jogues, padre jesuíta, morto em 1646.
  • Jean de Lalande, leigo auxiliar, morto em 1646.
  • Antoine Daniel, padre jesuíta, morto em 1648.
  • João de Brébeuf, padre jesuíta, morto em 1649.
  • Gabriel Lalemant, padre jesuíta, morto em 1649.
  • Charles Garnier, padre jesuíta, morto em 1649.
  • Noël Chabanel, padre jesuíta, morto em 1649.

Antoine Daniel foi morto em julho de 1648, quando a aldeia de Teanaostaiaé foi atacada. Segundo os relatos da missão, ele ficou ao lado do povo durante o ataque, em vez de fugir.

Charles Garnier e Noël Chabanel trabalhavam entre o povo petun, também chamado de tionontaté. Os dois morreram em dezembro de 1649, com um dia de diferença. Segundo os relatos, Garnier atendia feridos quando a aldeia foi atacada. Chabanel sentia grande dificuldade com a língua e com o modo de vida local. Mesmo assim, fez o voto de permanecer na missão e cumpriu a promessa até o fim.

Depois de 1649, a missão entre os huronianos chegou ao fim. Em junho daquele ano, os próprios jesuítas incendiaram Sainte-Marie, para que ela não fosse tomada pelos atacantes. Com um grupo de huronianos cristãos, seguiram para uma ilha no lago Huron. Ali o inverno foi de fome e doença. Em 1650, os sobreviventes partiram para perto de Quebec.

Canonização e memória

O Papa Pio XI beatificou os oito mártires em 1925. Em 29 de junho de 1930, ele os proclamou santos, todos na mesma celebração. Desde então, a Igreja os venera como grupo. A memória litúrgica cai em 19 de outubro. Você pode conferir outras datas no nosso calendário e entender melhor a vida da Igreja na categoria Liturgia.

Dois santuários guardam a lembrança deles. Um fica perto de Midland, em Ontário, no Canadá, junto ao local da antiga missão de Sainte-Marie, fundada em 1639 entre os huronianos. O outro fica em Auriesville, no estado de Nova York, onde ficava a aldeia de Ossernenon.

Sainte-Marie reunia padres e auxiliares que ensinavam, cuidavam de doentes e acolhiam os huronianos. Hoje o local recebe peregrinos e pessoas interessadas na história do Canadá.

No Brasil, nas fontes que consultamos, não consta santuário dedicado a esses santos. A lembrança aparece sobretudo na liturgia de 19 de outubro. Para um resumo oficial do dia, veja o Vatican News.

O que a vida deles ensina

A história desses oito homens traz lições simples para o dia a dia de quem tem fé. Veja alguns pontos que podem ajudar você.

  • Ouvir antes de falar: Brébeuf aprendeu a língua do povo para anunciar Jesus.
  • Voltar ao posto: Jogues retornou à missão mesmo conhecendo os riscos.
  • Cumprir a palavra: Chabanel manteve o compromisso que assumiu.
  • Servir sem ser padre: Goupil e Lalande mostram que os leigos também são missionários.
  • Respeitar o outro: eles viveram ao lado de povos de cultura muito diferente.

O Catecismo lembra que a missão vem do mandato de Cristo (CIC 849) e que os leigos participam dela pelo Batismo (CIC 900). Ele também ensina que a missão pede diálogo respeitoso com quem ainda não aceitou o Evangelho (CIC 856).

Você não precisa ir ao outro lado do mundo. Pode começar na família, no trabalho e na comunidade.

Como pedir a intercessão dos mártires

Pedir a intercessão de um santo é pedir que ele reze por nós junto a Deus, como você faria com um amigo ou um parente. O Catecismo ensina que os santos, unidos a Cristo, continuam a rezar por nós (CIC 956). Esses mártires podem ajudar quem sente chamado à missão, quem vive longe de casa e quem precisa de coragem para testemunhar a fé. Jesus disse que o grão de trigo, quando cai na terra e morre, produz muito fruto (Jo 12,24).

Você pode rezar assim, em casa ou na igreja, principalmente em 19 de outubro:

  1. Faça o sinal da cruz e fique em silêncio por um minuto.
  2. Leia Mateus 28,18-20, o envio dos discípulos.
  3. Lembre os nomes: João de Brébeuf, Isaac Jogues e companheiros.
  4. Conte a Deus o que você precisa, com suas palavras.
  5. Reze a oração desta página.
  6. Termine com um Pai-Nosso e uma Ave-Maria pelos missionários do mundo todo.

Se quiser outras orações, visite a página de orações e a lista de padroeiros. Para aprofundar o assunto do martírio e da missão, leia a categoria Catecismo.

O que significa a imagem de Santos João de Brébeuf

Imagem de Santos João de Brébeuf, Isaac Jogues e companheiros, mártires
Palma do martírio
Indica que o santo deu a vida por Cristo, sinal usado na arte para todos os mártires.
Batina preta
É o traje dos padres jesuítas, a ordem a que seis dos oito pertenciam.
Crucifixo
Lembra a mensagem que eles levaram às aldeias: a fé em Jesus crucificado e ressuscitado.
Canoa
Recorda as longas viagens de rio que os missionários faziam para chegar aos povos da região.
Mãos feridas de Isaac Jogues
Mostram o sofrimento que ele suportou e a fidelidade com que voltou à missão.

Para saber mais: Vatican News, santo do dia.

Oração a Santos João de Brébeuf, Isaac Jogues e companheiros, mártires

Mãos em oração

Santos João de Brébeuf, Isaac Jogues e companheiros, vós deixastes a pátria para anunciar Jesus e permanecestes fiéis até o fim. Rezai por nós. Dai coragem aos missionários, consolo aos que vivem longe de casa e firmeza a quem sofre por causa da fé. Ensinai-nos a respeitar cada povo e a testemunhar o Evangelho com simplicidade. Que Cristo, por vossa intercessão, nos conduza ao Pai. Amém.

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