Quem foi São João Paulo II
Karol Józef Wojtyła nasceu em Wadowice, na Polônia, em 18 de maio de 1920. Foi operário, ator amador, poeta, padre, bispo, cardeal e, por fim, papa. Reinou como João Paulo II de 16 de outubro de 1978 a 2 de abril de 2005. Foram mais de 26 anos, um dos pontificados mais longos da história.
Ele foi o primeiro papa não italiano em mais de quatro séculos. O anterior, Adriano VI, era holandês e fora eleito em 1522. Por isso, a escolha de um polonês surpreendeu o mundo naquela tarde de outubro.
A Igreja o declarou santo em 27 de abril de 2014. Sua festa litúrgica, ou seja, o dia em que a Igreja o lembra de modo especial na missa, é 22 de outubro. A data recorda o início solene do seu ministério como papa, em 1978. Nesta página você conhece a sua história e aprende a pedir a sua intercessão. Para acompanhar outras datas, consulte o calendário dos santos.
Muitos o lembram pelo carinho com que abraçava crianças, doentes e jovens. Ao mesmo tempo, ele foi um pensador sério, autor de livros de filosofia e de teologia. Sua vida mostra o que o Catecismo ensina: todos os cristãos são chamados à santidade, em qualquer profissão e em qualquer idade (Catecismo da Igreja Católica, n. 2013).
Infância e juventude na Polônia
Karol foi batizado em 20 de junho de 1920, na igreja paroquial de Wadowice. Em casa e entre os amigos, era chamado de Lolek. Na escola, gostava de futebol e jogava de goleiro. Uma das suas amizades mais próximas foi com Jerzy Kluger, colega judeu. Essa convivência ajudou a formar o seu respeito pelo povo judeu.
Karol cresceu numa família simples. O pai, também chamado Karol, era militar. A mãe, Emilia, morreu em 1929, quando o menino tinha nove anos. Três anos depois, em 1932, morreu o irmão mais velho, Edmund, que era médico.
Em 1941, aos 20 anos, ele perdeu também o pai. Desde cedo, portanto, conheceu a dor do luto. No livro Dom e Mistério, João Paulo II recordou o exemplo de oração do pai como uma escola de fé dentro de casa.
Em 1938, mudou-se com o pai para Cracóvia e começou a estudar língua e literatura polonesa na Universidade Jagielônica. Gostava de teatro e escrevia poemas. Em 1939, a Polônia foi invadida e a ocupação alemã fechou as universidades.
Para sobreviver e evitar a deportação para a Alemanha, Karol trabalhou numa pedreira e depois numa fábrica de produtos químicos. Nas horas livres, participava do Teatro Rapsódico, um grupo clandestino que mantinha viva a cultura polonesa. Foi nesse ambiente de guerra e de trabalho pesado que ele sentiu o chamado ao sacerdócio.
Do seminário clandestino ao papado
No outono de 1942, Karol entrou no seminário que o arcebispo de Cracóvia, cardeal Adam Sapieha, mantinha em segredo por causa da guerra. Os estudos aconteciam às escondidas, enquanto ele ainda trabalhava na fábrica. Foi ordenado padre em 1º de novembro de 1946.
Depois, o jovem padre foi estudar em Roma e concluiu o doutorado em teologia em 1948. De volta à Polônia, atuou numa paróquia, foi capelão de universitários e ensinou ética. Em 1958, o papa Pio XII o nomeou bispo auxiliar de Cracóvia. Em 1964, Paulo VI o fez arcebispo da cidade e, em 1967, cardeal. Cardeal é o bispo que ajuda o papa no governo da Igreja e participa da eleição do novo papa.
Como arcebispo, ele defendeu a liberdade religiosa num país governado por comunistas. Apoiou a construção de uma igreja em Nowa Huta, bairro operário onde as autoridades não queriam um templo. Entre 1962 e 1965, participou do Concílio Vaticano II, a grande assembleia de bispos do mundo inteiro que renovou a vida da Igreja.
Em 1978, o papa Paulo VI morreu em agosto. João Paulo I, seu sucessor, morreu pouco mais de um mês depois. Em 16 de outubro, os cardeais elegeram o arcebispo de Cracóvia, e ele escolheu o nome João Paulo II, em homenagem aos dois antecessores.
Na missa de início do pontificado, em 22 de outubro, ele pediu: “Não tenhais medo! Abri, ou melhor, escancarai as portas a Cristo” (Homilia de 22 de outubro de 1978, em vatican.va). A frase resumiu o que ele faria nos anos seguintes: levar Jesus a todos os lugares.
Um papa que atravessou o mundo
João Paulo II ficou conhecido como o papa peregrino. Em vez de esperar os fiéis em Roma, ele foi ao encontro deles. Veja alguns marcos do seu pontificado:
- Fez mais de cem viagens a outros países e costumava beijar o chão ao chegar.
- Impulsionou as Jornadas Mundiais da Juventude, encontros de jovens com o papa, a partir de meados dos anos 1980.
- Promulgou, em 1992, o Catecismo da Igreja Católica, livro que resume a fé.
- Reuniu em Assis, em 1986, líderes de várias religiões para rezar pela paz, na cidade de São Francisco.
- Propôs, em 2002, os Mistérios Luminosos do Rosário, que meditam a vida pública de Jesus.
- Pediu perdão a Deus, no Jubileu do ano 2000, pelos pecados de filhos da Igreja ao longo dos séculos.
Em junho de 1979, visitou a Polônia pela primeira vez como papa. Milhões de pessoas o ouviram em missas ao ar livre. Muitos historiadores veem nessa viagem um encorajamento ao povo polonês, que vivia sob governo comunista.
Ele também escreveu muito. Publicou 14 encíclicas, que são cartas solenes do papa a toda a Igreja. Na Evangelium Vitae, de 1995, defendeu a dignidade da vida humana. Na Fides et Ratio, de 1998, mostrou que fé e razão caminham juntas.
Aos jovens, falava com franqueza e com carinho. Convidava cada um a fazer da própria vida um projeto de amor, com Cristo no centro. Se você gosta de histórias de jovens que levaram a fé a sério, conheça São Carlo Acutis.
Sua devoção a Nossa Senhora era conhecida. Seu lema era Totus Tuus, expressão em latim que significa “Todo Teu”, dirigida a Maria. No brasão, aparecia um M ao lado da cruz.
O atentado e o perdão
Em 13 de maio de 1981, durante a audiência geral na Praça de São Pedro, o papa foi atingido por tiros disparados por Mehmet Ali Ağca. Ficou gravemente ferido e passou por uma longa cirurgia no hospital Gemelli, em Roma. Ele sobreviveu.
O dia era a memória de Nossa Senhora de Fátima. João Paulo II atribuiu a sua vida à proteção de Maria. Em 1982, foi a Fátima para agradecer. Mais tarde, uma das balas foi colocada na coroa da imagem de Nossa Senhora, no santuário português. Em 2000, a Santa Sé divulgou o texto do chamado terceiro segredo de Fátima e o relacionou a esse atentado.
Poucos dias depois, ainda internado, ele pediu orações pelo irmão que o atacou e disse que o perdoava. Em dezembro de 1983, visitou Ağca na prisão e conversou com ele. O gesto lembra o ensinamento de Jesus sobre o perdão (Mt 6,14) e o exemplo Dele na cruz (Lc 23,34).
Os últimos anos, a morte e a canonização
Nos anos finais, João Paulo II enfrentou a doença de Parkinson e dificuldades para andar e falar. Mesmo assim, continuou a receber peregrinos e a celebrar. Ele já havia escrito sobre o sentido cristão do sofrimento na carta apostólica Salvifici Doloris, de 1984. Mesmo idoso, seguiu escrevendo poemas, como o Tríptico Romano, de 2003.
Em 2 de abril de 2005, sábado à noite, ele morreu no Vaticano. Era a véspera do Domingo da Divina Misericórdia, festa que ele mesmo havia estendido a toda a Igreja no ano 2000. O funeral, em 8 de abril, reuniu uma multidão na Praça de São Pedro e foi presidido pelo cardeal Joseph Ratzinger. Muitos fiéis levaram cartazes com os dizeres “Santo súbito”, isto é, santo já.
O sucessor, Bento XVI, dispensou a espera habitual de cinco anos e permitiu abrir a causa de canonização. Em 1º de maio de 2011, declarou João Paulo II beato. Beato é aquele que a Igreja autoriza a venerar publicamente, em certos lugares. Para essa etapa, a Igreja reconheceu como milagre a cura da religiosa francesa Marie Simon-Pierre, que tinha Parkinson.
Em 27 de abril de 2014, Domingo da Divina Misericórdia, o papa Francisco o canonizou, na mesma celebração de São João XXIII. Canonizar é declarar oficialmente que a pessoa está no céu e pode ser venerada por toda a Igreja. Para essa etapa, foi reconhecida a cura de Floribeth Mora, da Costa Rica, que tinha um aneurisma no cérebro.
Devoção no Brasil
João Paulo II visitou o Brasil três vezes: em 1980, 1991 e 1997. Na primeira viagem, passou por várias cidades. Em 4 de julho de 1980, consagrou a nova basílica de Nossa Senhora Aparecida, santuário nacional da padroeira do Brasil.
Em 1991, visitou outras regiões do país, como o Nordeste e o Centro-Oeste. Em 18 de outubro daquele ano, em Florianópolis, declarou beata Madre Paulina, religiosa italiana que viveu a maior parte da vida no Brasil. Ele mesmo a canonizou em 2002.
Em 1997, esteve no Rio de Janeiro para o Encontro Mundial das Famílias com o papa. Ali, destacou a família como o lugar onde se aprende a amar. Em 25 de outubro de 1998, beatificou em Roma Frei Galvão, canonizado em 2007 e primeiro santo nascido no Brasil. Conheça a página de Frei Galvão.
Hoje, muitas paróquias e capelas brasileiras levam o nome de São João Paulo II. Os fiéis o procuram sobretudo em pedidos pelos jovens, pelos casamentos e pelas famílias.
Como pedir a intercessão de São João Paulo II
Pedir a intercessão de um santo é pedir que ele reze por nós junto a Deus. O Catecismo explica que os santos, unidos a Cristo, não deixam de interceder por nós (Catecismo da Igreja Católica, n. 956). Quem reza a um santo continua rezando a Deus, por meio de Jesus.
Você pode fazer este caminho simples, em casa ou na igreja:
- Faça o sinal da cruz e acalme o coração.
- Leia Jo 21,15-17, trecho em que Jesus confia Suas ovelhas a Pedro.
- Reze o Pai-Nosso e uma Ave-Maria, como ele gostava de rezar.
- Conte a São João Paulo II o que você vive: família, juventude, doença ou luto.
- Reze a oração desta página.
- Termine agradecendo a Deus.
O terço combina bem com essa devoção. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 2002, o papa convidou os fiéis a rezar o terço contemplando a vida de Jesus com os olhos de Maria. Se quiser, reze um terço inteiro em 22 de outubro, dia da sua festa. Você encontra outras preces na nossa página de orações e, para rezar por mais dias seguidos, nas novenas.
O que significa a imagem de São João Paulo II
- Veste branca e solidéu
- A batina branca e o pequeno gorro redondo indicam o ofício de papa, pastor de toda a Igreja.
- Cruz papal
- A cruz com o Cristo crucificado lembra que o papa conduz o povo a Jesus, que se entregou por todos.
- Letra M e lema Totus Tuus
- O M de Maria ao lado da cruz mostra sua entrega total a Nossa Senhora.
- Beijo na terra
- Ele beijava o chão ao chegar a cada país, gesto de respeito por cada povo.
- Rosário
- Indica sua oração diária e o cuidado com o terço, a quem acrescentou os Mistérios Luminosos.
Para saber mais: Vatican News, santo do dia.
Oração a São João Paulo II
São João Paulo II, amigo de Deus e pastor de tantos povos, reze por mim. Com Maria, você aprendeu a pertencer inteiramente a Jesus. Ensine-me a confiar Nele nas horas difíceis. Proteja os jovens, ampare as famílias e console os doentes. Ajude-me a perdoar, como você perdoou, e a rezar o terço com fé simples. Faça de mim um mensageiro da paz onde eu viver. Peça a Jesus a graça de que tanto preciso. Amém.
Tenha sua foto com São João Paulo II
Envie uma foto sua, do seu filho ou de quem você ama. Em poucos minutos você recebe a montagem com São João Paulo II, pronta para guardar, imprimir e mandar no WhatsApp.
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