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Imagem de Santa Edwiges

Santa Edwiges

Padroeira dos endividados e das famílias que buscam a paz, por devoção popular.

Festa em 16 de outubro

Duquesa da Silésia, mãe de família e religiosa, Santa Edwiges serviu os pobres e buscou a paz. No Brasil, muita gente recorre a ela em tempos de dívidas.

Quem foi Santa Edwiges

Santa Edwiges é uma das santas mais lembradas pelos brasileiros em tempos de aperto financeiro. Mas a história dela começou longe daqui, na Europa do século XII. Ela nasceu no castelo de Andechs, na região da Baviera, hoje parte da Alemanha. Seu pai, o conde Bertoldo, pertencia a uma família nobre e influente.

Os historiadores não chegam a um acordo sobre o ano exato do nascimento. Por isso, vale dizer apenas que ela veio ao mundo na segunda metade do século XII. Segundo as biografias, recebeu educação cristã no mosteiro beneditino de Kitzingen.

A família dela teve peso na história da Europa. Uma de suas irmãs, Gertrudes, casou-se com o rei da Hungria. Gertrudes foi mãe de Santa Isabel da Hungria, que também chegou aos altares. Assim, Edwiges era tia de Isabel.

Neste texto, você vai acompanhar o caminho dessa mulher. Ela foi duquesa, esposa, mãe, viúva e, no fim da vida, viveu junto a um mosteiro. Em cada fase, buscou servir a Deus e aos pobres. Por isso a Igreja a propõe como exemplo.

A Silésia no tempo de Edwiges

Edwiges passou a maior parte da vida na Silésia. É uma região no sudoeste da atual Polônia, com cidades como Breslávia, hoje chamada Wrocław. No século XIII, os duques da dinastia dos Piast governavam esse território.

A Polônia daquele tempo estava dividida em vários ducados. Os príncipes disputavam terras e poder, e as guerras entre parentes eram comuns. O país era cristão desde o século X, mas a fé ainda precisava de igrejas, mosteiros e pastores.

Nesse cenário, as ordens religiosas tiveram papel importante. Os cistercienses, por exemplo, formam uma ordem monástica nascida na França. Seus monges e suas monjas rezavam, trabalhavam a terra e acolhiam os necessitados. Colonos vindos de terras alemãs também chegaram à região, e isso mudou a vida de muitas aldeias.

Era um mundo de grandes desigualdades. Havia nobres ricos e muita gente pobre, doente ou endividada. A lepra, doença que isolava as pessoas da comunidade, causava muito sofrimento. Foi nesse mundo que Edwiges aprendeu que fé e caridade andam de mãos dadas.

Esposa, mãe e duquesa

Ainda adolescente, por volta dos 12 anos, segundo as biografias, Edwiges se casou com Henrique I, chamado o Barbudo, duque da Silésia. Naquele tempo, os casamentos uniam famílias e territórios. Mesmo assim, a união dos dois durou décadas e deu muitos frutos.

O casal teve vários filhos. Entre eles estavam Henrique, que depois governou como Henrique II, e Gertrudes, que se tornou abadessa. Abadessa é a superiora de um mosteiro de religiosas. Edwiges cuidou com atenção da educação cristã de todos.

O Catecismo chama a família cristã de “igreja doméstica” (CIC 1656). Isso quer dizer que a casa é o primeiro lugar onde a fé se vive e se ensina. Edwiges fez isso na prática. Rezava com os seus, dava exemplo de generosidade e não deixou que a vida na corte esfriasse a sua fé.

Mesmo vivendo em um castelo, ela mantinha hábitos simples. As biografias falam de jejuns, de roupas modestas e de longas orações. Para Edwiges, a riqueza era uma responsabilidade. Jesus ensina que a quem muito foi dado, muito será pedido (Lc 12,48).

Como duquesa, ela tinha influência e a usou para ajudar. As biografias lembram sua atuação como pacificadora em conflitos entre nobres, muitos deles parentes e rivais ao mesmo tempo. Nem sempre foi fácil, mas ela insistiu no diálogo e no perdão.

No início do século XIII, Henrique e Edwiges fundaram um mosteiro em Trzebnica, ao norte de Breslávia. Ali viveriam religiosas da Ordem de Cister, ou cistercienses. Mais tarde, a filha Gertrudes foi abadessa do lugar. O mosteiro tornou-se um centro de oração e de acolhida aos necessitados.

Caridade e vida de oração

Edwiges levou a sério as palavras de Jesus sobre o juízo final: “Tive fome, e Me destes de comer” (Mt 25,35). Para ela, servir o pobre era servir ao próprio Cristo. O Catecismo chama esses gestos de obras de misericórdia e explica o que são (CIC 2447).

As biografias e a tradição lembram vários gestos de Edwiges. Veja alguns deles:

  • Receber à mesa treze pobres, o que a tradição liga à lembrança de Jesus e dos doze apóstolos.
  • Cuidar de doentes, inclusive de pessoas com lepra.
  • Andar descalça em tempos de penitência, com os sapatos na mão, segundo a tradição.
  • Levar consigo uma pequena imagem de Nossa Senhora.
  • Apoiar mosteiros, igrejas e obras de acolhida.

A Igreja não pede a ninguém que repita as penitências do século XIII. Cada santo percorre um caminho próprio. O que vale imitar é o coração de Edwiges: ela olhava para quem sofria e se perguntava como ajudar. Também rezava muito, participava da Missa e buscava silêncio para ouvir a Deus.

Há ainda uma memória que explica a devoção atual. A tradição conta que Edwiges emprestava dinheiro e ajudava a quitar dívidas dos mais pobres. Quando via que não havia como pagar, ela perdoava o débito. Dessa lembrança nasceu a fama de protetora dos endividados.

A Bíblia fala do tema com realismo. Jesus ensinou a rezar “perdoai-nos as nossas dívidas” (Mt 6,12). São Paulo pede aos cristãos que não devam nada a ninguém, a não ser o amor mútuo (Rm 13,8).

Viuvez, perdas e morte

Henrique morreu em 1238. Segundo as biografias, os dois já viviam, de comum acordo, como irmãos em Cristo, dedicados à oração e às obras de caridade. Depois da morte do marido, Edwiges foi morar perto do mosteiro de Trzebnica.

Muitas biografias contam que ela vestiu o hábito das religiosas, mas não chegou a fazer votos formais. Mesmo assim, levou ali uma vida simples, de oração, jejum e serviço. Continuou a receber os pobres e a visitar os doentes.

A Bíblia fala da viúva que põe a esperança em Deus e persevera em orações dia e noite (1Tm 5,5). A vida de Edwiges nesses anos combina com esse retrato.

A dor também bateu à porta. Em 9 de abril de 1241, seu filho Henrique II morreu na batalha de Legnica, quando tropas mongóis invadiram a região. A tradição conta que Edwiges recebeu a notícia com serenidade e consolou os que choravam ao seu lado.

Quem perde um filho conhece uma dor muito grande. A fé não apaga essa dor, mas dá sentido e companhia a ela. Jesus diz: “Vinde a Mim, vós todos que estais cansados e sobrecarregados” (Mt 11,28). Edwiges respondeu a esse convite com oração e confiança.

Ela morreu em 15 de outubro de 1243, em Trzebnica. Foi sepultada na igreja do mosteiro que ajudara a fundar. Seu túmulo logo se tornou lugar de oração para o povo da região.

Canonização e lembrança na Igreja

O Papa Clemente IV canonizou Edwiges em 26 de março de 1267, pouco mais de vinte anos depois de sua morte. Canonizar é declarar, de modo solene, que uma pessoa viveu o Evangelho com fidelidade, vive com Deus e pode ser proposta a todos como exemplo e intercessora.

A Igreja celebra a festa de Santa Edwiges em 16 de outubro. Ela é lembrada um dia depois da morte, pois o dia 15 pertence a Santa Teresa de Ávila. Você pode conferir essa e outras datas no nosso calendário dos santos.

Os restos mortais de Edwiges são venerados na basílica de Trzebnica, na Polônia, que recebe peregrinos até hoje. Ela é lembrada como padroeira da Silésia. Em Berlim, a catedral católica leva o nome de Santa Edwiges.

A vida dela mostra que a santidade cabe em qualquer estado de vida. O Concílio Vaticano II ensina que todos os cristãos são chamados à santidade (Lumen Gentium, 40). Edwiges foi esposa, mãe, governante e viúva. Em todas essas situações, procurou fazer a vontade de Deus.

Para acompanhar a vida dos santos de cada dia, você pode consultar também a seção Santo do dia, do Vatican News.

Santa Edwiges no Brasil

No Brasil, Santa Edwiges tem muitos devotos. Em várias cidades existem paróquias, capelas e imagens com o nome dela. Muitas pessoas recorrem a ela quando enfrentam dívidas, desemprego ou aperto no orçamento da casa.

Esse costume é devoção popular, ou seja, nasceu da fé do povo. O povo a escolheu por causa da memória da generosidade de Edwiges com os pobres e com quem devia. A Igreja acolhe essa devoção quando ela leva a Deus e ao serviço do próximo.

É importante entender o sentido dessa oração. Rezar a uma santa não substitui o trabalho nem a responsabilidade. A fé caminha junto com a prudência. Quem está endividado pode rezar e, ao mesmo tempo, conversar com os credores, organizar as contas e pedir orientação a pessoas de confiança.

Muitas paróquias têm pastorais sociais que escutam e acolhem famílias em dificuldade. Procurar essa ajuda pode ser um gesto concreto de fé. Assim, a oração a Santa Edwiges leva a atitudes práticas, como ela mesma fazia em vida.

Na devoção popular, ela também é invocada pela paz nas famílias, por causa de seu trabalho como pacificadora. Veja outros santos lembrados pelo povo na nossa página de padroeiros.

Como pedir a intercessão de Santa Edwiges

Intercessão quer dizer rezar por alguém. O Catecismo explica que os santos, unidos a Cristo, não deixam de rezar por nós (CIC 956). Quando você recorre a Santa Edwiges, não a adora. Você pede que ela reze com você diante de Deus, como faria um amigo na fé.

Você pode seguir este caminho simples:

  1. Escolha um momento calmo, sem pressa.
  2. Faça o sinal da cruz e conte a Deus, com suas palavras, o que pesa em você.
  3. Peça a Santa Edwiges que reze com você por essa necessidade.
  4. Reze um Pai-Nosso, lembrando o pedido “perdoai-nos as nossas dívidas”.
  5. Decida um gesto concreto, como ajudar alguém ou procurar orientação.
  6. Agradeça a Deus, aconteça o que acontecer.

Você pode repetir esse momento todos os dias, por nove dias, em forma de novena. Encontre ideias na nossa seção de novenas e outras preces na página de oração. A oração sugerida nesta página também pode ajudar.

Reze com confiança e sem pressa. Deus conhece a sua situação antes mesmo de você contá-la (Mt 6,8). Santa Edwiges, que viveu a generosidade e buscou a paz, caminha ao seu lado como irmã na fé.

O que significa a imagem de Santa Edwiges

Imagem de Santa Edwiges
Igreja em miniatura
Lembra o mosteiro de Trzebnica, que ela fundou com o marido.
Sapatos na mão
Recorda a tradição de que ela andava descalça por penitência.
Imagem de Nossa Senhora
Lembra a devoção a Maria que a tradição lhe atribui.
Coroa ducal
Indica que ela foi duquesa e colocou o poder a serviço dos pobres.
Hábito e véu de religiosa
Mostram os anos finais de oração e simplicidade junto ao mosteiro.

Para saber mais: Vatican News, santo do dia.

Oração a Santa Edwiges

Mãos em oração

Santa Edwiges, que foste esposa, mãe e serva dos pobres, rezai por nós diante de Deus. Ensinai-nos a confiar no Pai nas horas de aperto e a agir com honestidade. Ajudai as famílias a viver em paz e a perdoar. Despertai em nosso coração a generosidade com quem passa necessidade. Que Jesus nos sustente nas dificuldades e nos conduza ao Seu Reino. Amém.

Tenha sua foto com Santa Edwiges

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