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Padre de Milão: adultos precisam voltar a ser confiáveis

Publicado em 26/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Corredor de uma prisão com várias fileiras de celas em diferentes andares, iluminado por claraboias

Foto: Dietmar Rabich, CC BY-SA 4.0, adaptada

Resumo

  • Em Milão, nos dias 17 e 18 de outubro, a violência no centro envolveu muitos jovens, vários menores de idade. O Pe. Claudio Burgio pede para não confundir esses atos com os protestos estudantis.
  • Ele aponta solidão, raiva sem acolhida, evasão escolar e perda de confiança nos adultos, sem livrar ninguém da responsabilidade pessoal.
  • O desafio é reconstruir relações educativas, em casa e nas instituições, para ajudar os jovens a reconhecer suas emoções e recuperar a confiança.

O que aconteceu em Milão

Nos dias 17 e 18 de outubro, o centro de Milão, na Itália, viveu momentos de violência. Houve confronto com a polícia, janelas quebradas, saques e danos à propriedade, principalmente perto da Praça da Catedral.

Muitos dos envolvidos eram jovens, e vários deles menores de idade. A mobilização começou ligada ao alto custo de vida e às dificuldades sociais.

Quem comentou o caso foi o Padre Claudio Burgio, capelão do presídio juvenil de Beccaria, em Milão. Capelão é o padre que acompanha a vida espiritual de uma instituição. Neste caso, ele convive com adolescentes e jovens que estão presos. Por isso conhece de perto a história de quem acaba nesse caminho. A conversa foi publicada pelo Vatican News.

Protesto é uma coisa, violência é outra

O primeiro alerta do padre foi de cuidado. Para ele, não se deve misturar essa violência de saque e destruição com os protestos estudantis. Estes, segundo ele, têm outra origem, outro motivo e outra lógica.

Padre Burgio afirma que, por trás dos atos, existe uma raiva guardada. Ela explode num ambiente de solidão, pobreza de educação e perda de confiança nos adultos e nas instituições.

Ele lembra que não se trata apenas de filhos de estrangeiros. Há também muitos jovens italianos. Para o padre, o sentimento de impunidade e a falta de senso cívico estão espalhados.

Ele cita ainda a imitação do que acontece em outros países, como a França, e os modelos de violência que circulam pelas redes sociais. O sacerdote não descarta que tenha havido alguma organização. Mas prefere que a pergunta principal seja outra: em que condições esses jovens estão crescendo?

Jovens deixados sozinhos

Segundo o padre, muitos são filhos de famílias pobres, no dinheiro e também na educação. Em suas palavras, foram deixados realmente abandonados.

Ele destaca a evasão escolar, que atinge até quem ainda está em idade de estudo obrigatório. Para ele, é sinal de um sofrimento profundo, e não apenas de preguiça ou desinteresse.

Há também a dificuldade de encontrar um lugar na sociedade. Isso pesa sobre filhos de imigrantes. Segundo o padre, eles não pertencem ao país de origem da família e nem sempre se sentem parte do país onde nasceram e foram criados.

Dessa desorientação, diz ele, podem nascer sentimentos de exclusão e manifestações de ódio. Por isso, defende uma reflexão séria, livre de disputa ideológica e partidária. A cidadania, afirma, é um direito que deve ser garantido.

Emoções sem nome e responsabilidade pessoal

Outro ponto levantado é a fragilidade emocional. Muitos jovens vivem na impulsividade e não aprenderam a reconhecer o que sentem. Quando falta alguém disposto a escutar, a raiva pode sair do controle.

Nesse caso, segundo o padre, eles reagem aplicando uma justiça que não tem nada de justa.

Ao mesmo tempo, ele não livra ninguém da responsabilidade. Estar no meio de uma multidão não é o mesmo que ter participado da violência. Alguns podem ter estado ali sem papel ativo. Já o comportamento de outros, diz ele, é mais difícil de entender de imediato.

Mesmo assim, o momento da responsabilidade pessoal precisa começar. O grupo costuma esconder ou diminuir essa percepção, e tomar consciência leva tempo.

Adultos em questão

A reflexão chega, por fim, aos adultos. Segundo o padre, muitos jovens dizem que os adultos não são confiáveis, nem coerentes e, sobretudo, estão ausentes.

Outra queixa comum é que a presença do adulto é sentida como controle. Isso vale na educação dentro de casa e também na relação com as instituições e as forças de segurança.

Por isso, o desafio vai além de frear a violência e apontar culpados. O padre quer reconstruir relações educativas que acompanhem os jovens e os ajudem a reconhecer as próprias emoções e a recuperar a confiança.

A Igreja sempre ensinou que a educação começa em casa. O Catecismo diz que os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos (CIC 2223). E São Paulo já avisava: "Pais, não irriteis vossos filhos, para que não desanimem" (Colossenses 3,21). Para ler mais sobre a Palavra, veja a categoria Bíblia.

O que fazer perto de você

Essa conversa vale para o Brasil também. Pais, avós, padrinhos, catequistas e líderes da pastoral da juventude vivem esse desafio todos os dias. A fala do padre sugere gestos simples, que cabem na casa e na paróquia:

  • Perguntar ao filho ou ao neto como ele está, e ouvir até o fim.
  • Ajudar o jovem a dar nome ao que sente, sem corrigir logo de saída.
  • Cumprir o que se promete, para que a palavra do adulto tenha peso.
  • Convidar um jovem da vizinhança para um grupo da paróquia.
  • Rezar pelos jovens em casa, com uma oração simples.

Quer acompanhar outras notícias sobre jovens e famílias na Igreja? Veja as notícias do portal. A matéria original está no Vatican News.

Se esta conversa fez sentido para você, mande para o grupo da família e fale sobre isso no próximo almoço de domingo.

Fonte

Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de Vatican News.

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