Primeira comunhão e crisma: qual vem primeiro?
Publicado em 24/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas
Foto: Ricardoricardo618, CC BY-SA 3.0, adaptada
Resumo
- No Brasil, o mais comum é fazer a primeira comunhão na infância e a crisma na adolescência ou na vida adulta.
- Os dois sacramentos completam o Batismo e fazem parte da iniciação cristã.
- Idade e duração da catequese variam por diocese, por isso vale falar com a secretaria da paróquia.
Qual vem primeiro: a primeira comunhão ou a crisma?
Na maioria das paróquias brasileiras, a primeira comunhão vem antes da crisma. A criança comunga pela primeira vez por volta dos 9 a 11 anos. A crisma costuma vir na adolescência ou na vida adulta.
Essa ordem, porém, não é igual em todo lugar. A Igreja deixa cada diocese organizar as idades e a duração da catequese. Por isso, o caminho mais seguro é perguntar na secretaria da sua paróquia como funciona por aí.
Há uma curiosidade. A ordem tradicional dos três sacramentos da iniciação é Batismo, crisma e Eucaristia. Por isso, em algumas dioceses do mundo, a crisma é celebrada antes da primeira comunhão. No Brasil, o costume mais comum é o inverso, e ele é perfeitamente válido.
Existe também o caso do adulto que nunca recebeu nenhum sacramento. Quando ele se prepara para o Batismo, os três sacramentos costumam ser celebrados juntos, muitas vezes na Vigília Pascal. Nessa celebração, a ordem é Batismo, crisma e Eucaristia.
O que une os dois sacramentos
O Catecismo chama de sacramentos da iniciação cristã o Batismo, a Confirmação (a crisma) e a Eucaristia. Eles lançam os fundamentos da vida cristã (CIC 1212). Primeira comunhão e crisma, portanto, são etapas de um mesmo caminho, que começa no Batismo.
No Batismo, a pessoa nasce para a vida de Deus. Na crisma, ela é fortalecida pelo Espírito Santo. Na Eucaristia, ela se alimenta do Corpo de Cristo. Cada passo completa o anterior.
Nas Igrejas católicas orientais, os três sacramentos são dados juntos, até a bebês. No rito latino, que é o nosso, a prática ficou dividida em etapas (CIC 1233). A diferença está na organização da catequese. O sentido continua o mesmo.
Por isso, a crisma não é um "diploma" que se ganha depois da primeira comunhão. Ela é a plenitude do que o Batismo começou, como ensina o Catecismo (CIC 1285).
O que é a primeira comunhão
É a primeira vez que a pessoa recebe a Eucaristia, isto é, o Corpo de Cristo na missa. A Igreja ensina que Jesus está presente de verdade no pão consagrado (CIC 1374). Por isso o preparo é sério, e a catequese ensina a criança a distinguir esse pão do pão comum.
O Código de Direito Canônico pede que a criança tenha chegado ao uso da razão e tenha conhecimento suficiente do mistério (cân. 913). Também pede que ela esteja em condições de receber o sacramento com respeito. Quem tem consciência de pecado grave precisa antes se confessar (CIC 1385).
Há ainda o jejum de pelo menos uma hora antes da comunhão, sem contar água e remédios (cân. 919). Quando a criança se prepara, a família entra junto no caminho. O passo a passo completo está no nosso texto sobre a Primeira Comunhão: preparação, sentido e como se vive.
São Carlo Acutis é um bom exemplo de amor à Eucaristia desde cedo. Ele fez a primeira comunhão aos sete anos e depois passou a participar da missa com frequência. Conheça a sua história na página de Carlo Acutis.
O que é a crisma
A crisma, também chamada de Confirmação, reforça o que o Batismo começou. Quem a recebe é marcado com o óleo do crisma e recebe o dom do Espírito Santo de modo especial (CIC 1302). Esse óleo é consagrado pelo bispo.
Com a crisma, a pessoa assume a fé como própria. Ela é fortalecida para vivê-la e para anunciá-la com palavras e com atitudes (CIC 1303). Por isso muitos jovens se preparam para ela no período em que começam a tomar decisões por conta própria.
O ministro originário da crisma é o bispo (CIC 1312). Em muitas paróquias, ele mesmo vai celebrar. Em certos casos, o padre recebe permissão para fazê-lo. A crisma, como o Batismo, imprime uma marca espiritual e não se repete (CIC 1304).
Para receber a crisma, a pessoa deve estar em estado de graça e ter se preparado com oração e catequese (CIC 1310). Na celebração, o bispo estende as mãos sobre os crismandos e unge a testa de cada um com o óleo, dizendo: "Recebe por este sinal o Espírito Santo, o Dom de Deus". Veja mais no texto Crisma: sentido e preparação.
Diferenças práticas entre um e outro
Para comparar, veja os pontos principais. Eles resumem o que costuma mudar na prática da maioria das paróquias:
- Idade: primeira comunhão na infância; crisma na adolescência ou na vida adulta.
- Quem preside: o padre na primeira comunhão; em geral o bispo na crisma.
- Padrinho: na crisma, costuma haver padrinho ou madrinha; na primeira comunhão, depende da paróquia.
- Preparo: catequese de alguns meses ou anos em ambos, conforme a diocese.
- Repetição: a crisma não se repete; a comunhão se recebe sempre que se participa da missa.
- Confissão: ajuda a se preparar para os dois e é indispensável em caso de pecado grave.
O padrinho da crisma deve ser católico, já crismado e já ter feito a primeira comunhão. Também deve levar uma vida coerente com a fé (cân. 874). O Código recomenda que seja o mesmo padrinho do Batismo, quando isso for possível (cân. 893).
Já a primeira comunhão não exige padrinhos pela lei da Igreja. Se a sua paróquia costuma convidar padrinhos, trate isso como costume local e pergunte à catequista.
Como se preparar e onde começar
O primeiro passo é procurar a secretaria da paróquia mais próxima. Pergunte sobre as turmas de catequese, os horários e os documentos pedidos. Muitas paróquias pedem a certidão de Batismo, que se consegue na paróquia onde a pessoa foi batizada.
Depois, siga estes passos práticos:
- Peça a certidão de Batismo atualizada, se a paróquia exigir.
- Inscreva-se na turma de catequese adequada à sua idade.
- Participe dos encontros e da missa de domingo.
- Procure o sacramento da Confissão antes da celebração.
- Escolha o padrinho ou a madrinha, quando houver.
- Pergunte sobre a roupa e a organização da celebração só no fim.
Se você é adulto e nunca fez nenhum dos dois, não se envergonhe. Existem turmas de catequese para adultos em muitas paróquias. Leia também nosso texto sobre crisma para adultos e sobre a primeira comunhão de adulto.
O papel da família e o que importa no dia
Em casa, a família pode ajudar bastante. Rezar junto, ir à missa aos domingos e conversar sobre o que a criança ou o jovem aprendeu na catequese fazem diferença. Os pais são os primeiros educadores da fé dos filhos, e a catequese da paróquia só completa esse trabalho.
Se você já fez a primeira comunhão e ficou sem a crisma, ou o contrário, nada está perdido. Basta procurar a paróquia e pedir orientação. O padre ou a catequista indicam a turma certa e dizem quais documentos levar.
Quando surgirem outras perguntas, visite a página de dúvidas de fé e consulte o Catecismo da Igreja Católica, no site do Vaticano.
Por fim, lembre-se do mais importante: o encontro com Jesus. A roupa, a decoração e o almoço vêm depois. Primeiro vêm a oração, a confissão e o desejo sincero de receber o Senhor. Para outros temas, visite a página de Sacramentos.
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