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Tráfico de pessoas: comissão da CNBB celebra 10 anos

Publicado em 23/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Presépio diante da Igreja do Carmo iluminada em Olinda (PE)

Foto: Prefeitura de Olinda, CC BY 2.0, adaptada

Resumo

  • No dia 15 de outubro, a comissão da CNBB que combate o tráfico de pessoas fez um encontro virtual para celebrar dez anos de trabalho.
  • Foram lembrados dom Enemésio Lazzaris, Henriqueta Cavalcante e outros que ajudaram a abrir o caminho, com a formação de lideranças e Santa Bakhita como inspiração.
  • A comissão alerta para o aliciamento pela internet e oferece subsídios de oração para as comunidades, numa agenda que vai até o primeiro semestre de 2027.

Dez anos de caminhada, lembrados pela internet

Na noite de 15 de outubro, pessoas de várias regiões do Brasil se conectaram para uma celebração virtual. A Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano, ligada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), completou dez anos de trabalho.

O lema do encontro foi: "10 anos rompendo o silêncio: Tráfico de pessoas existe e enfrentá-lo é a nossa missão". Participaram bispos, religiosas, leigos e agentes de pastoral, isto é, pessoas que atuam nas pastorais das comunidades.

A irmã Rose Bertoldo, que integra a comissão, resumiu o espírito da noite. Segundo ela, não se tratava só de lembrar datas, mas de recordar pessoas, agradecer, rezar e renovar o compromisso com a vida e com a liberdade.

Quem abriu o caminho

O presidente da comissão, dom Adilson Pedro Busin, agradeceu ao grupo de trabalho. Ele usou uma imagem simples: todos estão no mesmo barco, com "marinheiros da primeira hora", muitas vezes remando contra a corrente do tráfico.

Dom Adilson lembrou, emocionado, duas pessoas que já partiram. Henriqueta Cavalcante, defensora de direitos humanos, morreu em janeiro deste ano. Dom Enemésio Ângelo Lazzaris, bispo, faleceu em 2020.

Francisco Alan, que também faz parte da comissão, contou como era dom Enemésio. Andava com uma maletinha preta e vários caderninhos de anotação, sempre atento às injustiças sofridas por famílias e agricultores.

Sobre Henriqueta, Alan disse que ela ensinou muita gente a escutar. Era uma escuta que denuncia e leva à ação. Ela atuou de perto na proteção de meninas e mulheres no arquipélago do Marajó, no Pará. Lá, o trabalho de dom José Luiz Azcona também foi recordado.

Os primeiros mutirões

O encontro lembrou ainda os nomes que ajudaram a estruturar os primeiros mutirões de enfrentamento. Entre eles estão a irmã Claudina Scapini, que acompanhou a cerimônia, e a irmã Rosita Milesi.

Também foram citados o padre Ari, da Pastoral Afro, e frei Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra. Completam a lista Alessandra Miranda e dom Plínio José Luz da Silva, bispo de Picos (PI) e bispo referencial da comissão, ou seja, aquele que acompanha o grupo de perto.

Repare como são religiosos, leigos, bispos e padres de pastorais diferentes. O combate ao tráfico não é tarefa de um só grupo. Cada comunidade pode ajudar com o seu pedaço.

Formação, Santa Bakhita e o que a Igreja ensina

A secretária executiva da comissão, Alessandra Miranda, apontou dois pilares dessa década. O primeiro é a formação de lideranças, que depois multiplicam materiais de prevenção. Assim, a comunidade entende o que é o tráfico e quais são as suas formas.

O segundo pilar é Santa Josefina Bakhita. Ela própria foi vítima do tráfico e inspira o grupo pela perseverança. Nascida no Sudão, foi escravizada ainda criança, mais tarde conheceu a fé cristã e se tornou religiosa. É lembrada como símbolo de quem foi tratado como mercadoria e recuperou a liberdade.

Para Alessandra, a Igreja precisa prevenir, identificar e acolher. Ela afirmou que é missão da Igreja abrir todas as portas para que o tráfico humano seja banido da sociedade.

Essa posição tem raiz no ensino da Igreja. O Catecismo da Igreja Católica, ao tratar do sétimo mandamento, condena a escravização de pessoas e o comércio de seres humanos como se fossem mercadoria (n. 2414). Por isso, a defesa da liberdade faz parte da fé vivida no dia a dia.

Missões em Roraima e o perigo da internet

O trabalho foi impulsionado pela Campanha da Fraternidade de 2014. Depois, uniu-se à Rede Um Grito Pela Vida, a pastorais e a outros organismos em vários territórios do país.

Em Roraima, no Regional Norte 1 da CNBB, houve duas missões. A primeira foi em 2018, no auge do fluxo de migrantes. Naquele ano, 40% da Coleta Nacional da Solidariedade foi usada para estruturar a Cáritas local. A segunda foi em 2024 e mostrou que as denúncias de tráfico continuam graves.

Os participantes lembraram que a comissão manteve as atividades mesmo durante a pandemia de Covid-19. Alertaram também para um desafio atual: o aliciamento pelo meio digital, que exige atenção das pastorais.

Oração com velas e o que vem pela frente

A celebração teve um momento de oração com a Carta aos Gálatas (5, 1): "É para a liberdade que Cristo nos libertou". Dom Evaristo Spengler pediu que todos acendessem uma vela diante da câmera. Para ele, a luz lembra Cristo ressuscitado, que não nos deixa na escuridão e nos ilumina com o Seu amor.

O encontro abriu uma agenda de formação e comemoração que vai até o primeiro semestre de 2027. A comissão já oferece subsídios litúrgicos, com a oração dos fiéis para celebrações nas comunidades. Até o fim do ano, sairão novos materiais e vídeos sobre a história do trabalho. Em 2027, haverá debates e transmissões ao vivo sobre a realidade de cada região.

Na sua paróquia, vale perguntar se a pastoral conhece esses subsídios e levá-los ao grupo de oração. Em casa, converse com filhos e netos sobre o cuidado com desconhecidos que fazem propostas de emprego ou viagem pela internet. Quem quiser rezar pode acender uma vela e usar uma das orações do portal. Acompanhe também outras notícias da Igreja no Brasil e leia a Palavra de Deus que sustenta essa missão.

Fonte

Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de CNBB.

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