Bispo de Campanha alerta para o veneno das redes sociais
Publicado em 22/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas
Foto: Edgar Beltrán / The Pillar, CC BY-SA 4.0, adaptada
Resumo
- Dom Walter Jorge Pinto, bispo de Campanha (MG), comparou as redes sociais à torre de Babel, citada pelo Papa Leão XIV na encíclica Magnifica Humanitas.
- Para o bispo, a polarização espalha ódio como um veneno que intoxica e impede o diálogo, dentro das famílias e do País.
- O remédio apontado é o ensinamento de Jesus: amar até os inimigos, começando por parar de beber da fonte que alimenta a raiva.
Um bispo mineiro lê a encíclica do Papa à luz das redes
Dom Walter Jorge Pinto, bispo de Campanha, no Sul de Minas Gerais, publicou um artigo sobre o clima de ódio nas redes sociais. O texto parte da primeira encíclica do Papa Leão XIV, chamada Magnifica Humanitas. Encíclica é uma carta solene do Papa, dirigida a toda a Igreja e a todas as pessoas de boa vontade.
O Papa abre o documento com uma imagem forte. Segundo ele, a humanidade criada por Deus está diante de uma escolha: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e as pessoas vivem juntos.
Dom Walter pegou essa imagem e a aplicou a algo que está no celular de quase toda família brasileira: a internet e as redes sociais.
O que a torre de Babel ensina
A história está no livro do Gênesis, capítulo 11, versículos 1 a 9, e você pode reler com calma na nossa seção sobre a Bíblia. Naquele relato, os homens quiseram construir uma civilização por conta própria, deixando Deus de lado. Confiavam sem limites na própria razão, na sua leitura da vida e da História e na capacidade técnica.
O projeto terminou em confusão. As línguas se misturaram, ninguém mais entendia ninguém e a torre que queria alcançar o céu foi abandonada. Por isso ela é lembrada como símbolo da arrogância humana.
O bispo lembra que a tecnologia não é o problema em si. A internet abriu possibilidades enormes para o desenvolvimento do mundo. O risco, diz ele, está em repetir o erro de Babel.
Quanto mais conexão, menos entendimento
Para Dom Walter, há um contraste que chama a atenção. Quanto mais cresce o que se pode fazer na internet, menos as pessoas parecem se entender. Entre os sinais disso, ele cita as redes sociais.
O bispo fala da polarização, que é quando as pessoas e os grupos se dividem em lados opostos. Cada um usa as redes para defender seu ponto de vista e atacar quem pensa diferente. Segundo ele, isso acontece sobretudo na política e acirra os ânimos.
A comparação que ele usa é a do veneno. A pessoa toma um pouco, se intoxica e já não consegue dialogar. Pior: passa a querer mais daquilo que julga ser a verdade, e a raiva só aumenta.
As perguntas que o bispo deixa para o Brasil
Dom Walter lembra que existem ódios muito antigos entre povos em guerra, como no Oriente Médio. Eles foram passados de pais para filhos. As crianças ouviram a versão dos fatos cheia de rancor, viram o horror diante do inimigo e cresceram repetindo o mesmo.
Daí vêm as perguntas dele. Estamos preparando algo parecido no nosso País? Os ódios das redes vão acabar, não importa quem esteja no poder? Nossas crianças e adolescentes já estão envenenados o bastante para continuar assim?
O bispo também aponta um defeito comum a todos os lados: justificar sempre a posição que se apoia, mesmo quando seus representantes erram, e jogar a culpa em quem está do outro lado. Ele diz temer conflitos entre irmãos, filhos de um mesmo povo, e até guerras fratricidas, isto é, entre irmãos.
O remédio vem de Jesus
A saída proposta por Dom Walter é desarmar o que produz as torres de Babel, com gestos que gerem paz. O antídoto, segundo ele, é o ensinamento de Jesus: amar até os inimigos. O próprio Evangelho diz: "Amai os vossos inimigos e rezai pelos que vos perseguem" (Mt 5,44).
O primeiro passo prático que ele sugere é simples: parar de beber das fontes de veneno, ou seja, das redes que promovem o ódio entre nós. A recuperação, ele admite, é lenta, como toda desintoxicação.
Vale lembrar que o texto é um artigo de opinião do bispo, escrito a partir da encíclica. Ele não aponta partido nem candidato. Fala de um problema que atinge todos os lados.
O que fazer em casa e na paróquia
Esse alerta vale para a mesa do almoço, para o grupo da família e para o grupo da paróquia. Algumas atitudes pequenas ajudam a começar:
- Antes de repassar uma mensagem de raiva, espere um pouco e pergunte se ela constrói ou destrói.
- Evite discutir política em tom de briga nos grupos de família.
- Converse com filhos e netos sobre o que eles veem nas redes e o que sentem ao ver.
- Reze por quem pensa diferente de você. Sugestões estão em nossas orações.
- Acompanhe outras notícias da Igreja que falam de paz e de diálogo.
Se quiser conhecer o trabalho dos bispos brasileiros, visite o site da CNBB. E hoje, antes de pegar o celular, faça uma oração curta: "Senhor, guarda minha língua e meu coração. Ensina-me a falar com amor."
Fonte
Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de CNBB.
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