Grupo de apoio para cuidadores acolhe famílias no Rio
Publicado em 22/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas
Foto: ZeroTwoAndHiroWW2, CC BY-SA 3.0, adaptada
Resumo
- O Hospital São Francisco na Providência de Deus, no Rio, mantém um grupo de apoio para familiares e cuidadores de pacientes com transtornos mentais.
- A psiquiatra Bárbara Estelita lembra que não existe cuidador perfeito e que cuidar de si não é egoísmo.
- A recuperação do paciente tende a ser melhor quando a família também está bem cuidada.
No Rio, um lugar para quem cuida também ser ouvido
No Rio de Janeiro, o Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF-RJ) mantém um grupo de apoio para familiares e cuidadores de pessoas com transtornos mentais. A notícia foi divulgada pela Arquidiocese do Rio.
O grupo funciona dentro do Polo de Atenção Integral à Saúde Mental, conhecido pela sigla PAI. A proposta é oferecer um espaço para falar, dividir angústias e encontrar acolhimento enquanto alguém querido enfrenta a doença.
Os encontros acontecem num ambiente sem julgamentos. Ali, quem acompanha o paciente de perto também pode expressar as próprias emoções e dificuldades. Em geral, essa pessoa passa meses ouvindo perguntas sobre o doente e quase nenhuma sobre ela mesma.
A avó que estava com o choro preso
A coordenadora de saúde mental do hospital, a psiquiatra Bárbara Estelita, contou um caso que mostra bem o sentido do grupo. Num dos encontros, uma avó disse que estava com o “choro preso” desde que a neta foi internada.
No grupo, ela encontrou liberdade para falar. Pôde chorar e dividir o quanto aquele momento era difícil. Sem pressa e sem ninguém para cobrá-la, a emoção finalmente saiu.
Muita gente em casa conhece essa cena. Quem cuida costuma ser o forte da família e acaba guardando tudo para si. Um espaço de escuta ajuda a aliviar esse peso antes que ele adoeça também o cuidador.
Cansaço, culpa e a ideia de que errou
Segundo a psiquiatra, a saúde física e emocional de familiares e cuidadores ainda recebe pouca atenção. Ela explica que a rede de apoio, formada por parentes, amigos e cuidadores, pode sofrer sobrecarga emocional, desgaste físico e até sentimento de culpa.
A culpa aparece com frequência. O cuidador se cobra, acha que não está fazendo direito e pensa que errou se o paciente é internado ou sofre algum problema. Bárbara é direta: “Não existe cuidador perfeito.”
Ela acrescenta que a família, mesmo quando erra, age querendo acertar e buscando o melhor. Essa lembrança pode consolar quem se sente em falta com o doente.
Para a coordenadora, os profissionais de saúde têm um papel nisso. Eles devem escutar a família, evitar julgamentos e se colocar no lugar dela. Às vezes, o familiar precisa até de acompanhamento psicológico.
Cuidar de si não é egoísmo
Para romper o ciclo de autocobrança, a especialista dá orientações simples. Quem cuida precisa reservar tempo para o próprio bem-estar. Ela destaca estes pontos:
- dormir bem;
- se alimentar bem;
- fazer exercício físico;
- ter alguma atividade que dê prazer.
Bárbara afirma que isso não é egoísmo, e sim um jeito de cuidar de forma mais saudável. Também diz que cuidar de quem cuida é um ato de generosidade e, ao mesmo tempo, uma forma de cuidar do paciente.
Ela explica ainda que, na saúde mental, não se trata apenas a doença. Tratam-se as pessoas, as relações entre elas e as famílias. Quando o entorno do paciente está saudável, a recuperação tende a ser melhor.
Um problema que atinge muitas casas
A reportagem lembra que os transtornos mentais pesam no país. Dados do Ministério da Previdência Social, analisados em pesquisa do Jornal da USP, mostram que os afastamentos do trabalho por depressão e ansiedade cresceram 15% em relação ao ano anterior. Hoje, são a segunda maior causa de licenças trabalhistas no Brasil, atrás apenas das dores na coluna.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o Brasil como o país com a maior prevalência de ansiedade do mundo: 18,6% da população.
Com números assim, é provável que você conheça uma família nessa situação, na vizinhança, no trabalho ou na comunidade da paróquia. Muitas vezes, a pessoa que cuida está calada e cansada.
O que você pode fazer em casa e na paróquia
Se há um doente na sua família, vale perguntar a quem cuida dele: “E você, como está?”. Uma pergunta assim, feita com calma, já é um gesto de acolhimento. Oferecer umas horas de descanso ou ouvir sem dar opinião também ajuda muito.
Na paróquia, a pastoral da saúde e os grupos de família podem ficar atentos a esses cuidadores. A Bíblia lembra, em Gálatas 6,2: “Carregai os fardos uns dos outros”. Você encontra mais passagens para meditar na seção de Bíblia do portal.
Se quiser rezar por quem cuida de um doente, visite nossas orações. Para acompanhar outras iniciativas da Igreja pelo Brasil, veja as últimas notícias. Depois, mande esta matéria para aquele parente ou amigo que anda carregando um fardo sozinho.
Fonte
Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de Arquidiocese do Rio.
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