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Foto de Padre Donizetti

1882 a 1961 · Beato

Padre Donizetti

Tambaú (SP) · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Foto: Autor desconhecido, Domínio público

Resumo

  • Pároco de Tambaú (SP) por 35 anos, de 1926 até a morte, em 1961.
  • Defendeu os pobres e os trabalhadores e fundou obras sociais na cidade.
  • Beatificado em 23 de novembro de 2019, em Tambaú, após a cura de um bebê.

Origem e família

Donizetti Tavares de Lima nasceu em 3 de janeiro de 1882, em Cássia, no sul de Minas Gerais. Seus pais eram Tristão Tavares de Lima e Francisca Cândida Tavares de Lima. O pai trabalhava com o Direito, e a mãe era professora. A família era numerosa, como tantas famílias do interior naquela época.

Quando o menino tinha cerca de quatro anos, a família se mudou para Franca, no interior de São Paulo. Foi ali que ele fez os primeiros estudos. Também foi em Franca que começou a aprender música, um gosto que o acompanhou por toda a vida.

Desde cedo, o ambiente de casa uniu fé, estudo e disciplina. Esses três traços aparecem depois em todo o seu trabalho de padre. Ele seria lembrado como um homem culto, mas de vida muito simples.

Vocação e formação

Ainda adolescente, Donizetti entrou na preparação para o Seminário Episcopal de São Paulo. Lá ele se destacou na música. Tornou-se organista e passou a ensinar música aos colegas seminaristas.

As biografias contam que, por volta de 1900, ele interrompeu o seminário por um tempo. Nesse período, iniciou estudos de Direito, seguindo o caminho do pai. Depois de cerca de três anos, porém, voltou ao seminário. A vocação falou mais alto.

Ele completou os estudos de Filosofia e Teologia e foi transferido para a Diocese de Pouso Alegre, em Minas Gerais. Em 12 de julho de 1908, foi ordenado padre em Pouso Alegre. Tinha 26 anos.

Nos primeiros anos, trabalhou na paróquia de São Caetano, ligada a Pouso Alegre. Em seguida, foi vigário em Jaguariúna, na região de Campinas. Em 1909, foi nomeado pároco de Sant'Ana, em Vargem Grande do Sul, no interior paulista. Essas experiências o prepararam para a missão mais longa da sua vida.

A chegada a Tambaú

Em 24 de maio de 1926, padre Donizetti foi nomeado pároco da Paróquia de Santo Antônio, em Tambaú, no interior de São Paulo. Ele chegou à cidade em 12 de junho de 1926. No dia seguinte, 13 de junho, festa de Santo Antônio, tomou posse e celebrou sua primeira missa ali.

Tambaú era então uma cidade pequena e tranquila. Ninguém imaginava que, anos depois, ela se tornaria destino de multidões. O novo pároco ficaria ali por 35 anos, até o fim da vida.

Logo ao chegar, ele mostrou grande amor por Nossa Senhora Aparecida. Encomendou uma réplica da imagem da padroeira do Brasil para a igreja. Segundo a ACI Digital, quando um incêndio causado por falha elétrica destruiu a igreja paroquial, a imagem foi encontrada intacta no altar. Desde então, o padre sonhou em construir um santuário para ela.

Ministério e obras sociais

Padre Donizetti viveu de forma muito pobre. Segundo os relatos biográficos, tinha poucos livros, poucas roupas e dormia num colchão no chão. Ao mesmo tempo, comprava terrenos e casas para famílias que não tinham onde morar.

Ele criou várias obras na cidade. Fundou o Asilo São Vicente de Paulo, para idosos sozinhos e pessoas abandonadas. Também fundou a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Tambaú, voltada para mães e crianças pobres.

Além disso, organizou grupos de leigos. Criou a Congregação Mariana, a Irmandade das Filhas de Maria e o Círculo Operário Tambauense. Este último reunia trabalhadores e defendia seus direitos.

A defesa dos trabalhadores lhe trouxe problemas. Pessoas ricas da região passaram a acusá-lo de ser comunista. Ele respondia que agia pelo Evangelho. Na missa de beatificação, o cardeal Angelo Becciu lembrou que o padre via o rosto de Cristo em todos os que sofriam.

Ele também cuidou dos templos. Construiu a igreja paroquial e duas capelas, uma delas dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Para ele, a oração era o centro de tudo. Segundo o cardeal Becciu, era dela que vinha a sua energia.

As multidões dos anos 1950

Com o passar dos anos, cresceu a fama de santidade do pároco. Pessoas de longe começaram a procurar Tambaú. Muitos relatavam graças e curas depois de rezar com ele. O padre sempre atribuía essas graças a Deus e a Nossa Senhora Aparecida.

Nos anos 1950, o movimento ficou enorme. Uma plataforma foi montada diante da casa paroquial para que ele pudesse rezar pelo povo reunido na praça. Os fiéis esperavam horas para vê-lo de perto.

A situação preocupou as autoridades da Igreja. O bispo pediu que ele deixasse de receber as multidões e de falar sobre os prodígios. Padre Donizetti obedeceu sem se revoltar. Sua última aparição pública para o povo aconteceu em 30 de maio de 1955.

Depois disso, ele seguiu apenas com o trabalho normal de pároco. Essa obediência silenciosa é lembrada como um dos sinais da sua virtude.

Últimos anos e morte

Nos últimos anos, a saúde do padre ficou frágil. Ele sofria do coração e de diabetes. Mesmo assim, continuou perto do povo da sua paróquia.

Padre Donizetti morreu em Tambaú no dia 16 de junho de 1961, aos 79 anos, por problemas cardíacos. Foi sepultado no cemitério municipal da cidade no dia seguinte.

O santuário que ele tanto desejou para Nossa Senhora Aparecida só ficou pronto em 1966, cinco anos depois da sua morte. Hoje é justamente nesse santuário que ele descansa.

O caminho até a beatificação

Em 1991, a Câmara de Tambaú e a Diocese de São João da Boa Vista pediram a abertura do processo de beatificação. Em 2 de dezembro de 1996, a Santa Sé concedeu a ele o título de Servo de Deus. A fase diocesana reuniu testemunhos e documentos por vários anos.

Em maio de 2009, os restos mortais foram exumados, como pede a Santa Sé nesses processos. Em seguida, foram levados em procissão para um mausoléu no Santuário de Nossa Senhora Aparecida de Tambaú. Em 29 de outubro de 2010, a Congregação para as Causas dos Santos validou o processo diocesano.

Em 9 de outubro de 2017, o papa Francisco reconheceu as virtudes heroicas do padre. Ele passou a ser chamado de Venerável. Em 6 de abril de 2019, o papa aprovou o decreto que reconhece um milagre atribuído à sua intercessão.

O milagre reconhecido

O milagre aprovado foi a cura de Bruno Henrique Arruda de Oliveira, um bebê da região de Tambaú. Ele nasceu em 2006 com pé torto congênito nos dois pés. As plantas dos pés não tocavam o chão.

Segundo a reportagem do Diário de Notícias, na noite anterior à primeira consulta com o ortopedista, a mãe rezou pedindo a intercessão de padre Donizetti. Na manhã seguinte, os pés do menino tocaram o chão pela primeira vez. A família apresentou exames e documentos médicos, e a investigação da Igreja durou cerca de sete anos.

A beatificação aconteceu em 23 de novembro de 2019, em Tambaú. A missa foi presidida pelo cardeal Angelo Becciu, então prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em nome do papa Francisco. Dezenas de milhares de fiéis participaram. Ele se juntou a outros nomes brasileiros a caminho dos altares, como Frei Galvão, primeiro santo nascido no Brasil.

Legado e devoção

Hoje Tambaú vive a memória do seu antigo pároco. A cidade guarda a casa onde ele morou, que virou museu, o túmulo no santuário e uma estátua em sua homenagem. Romeiros chegam o ano inteiro, sobretudo nos fins de semana.

O dia 16 de junho, data da morte do beato, é o ponto alto da devoção. Nessa data acontece em Tambaú a Marcha da Fé, que reúne fiéis de várias cidades. Uma lei paulista de 2015 estimou cerca de 40 mil romeiros em junho e 4 mil a cada fim de semana.

Em 14 de agosto de 2022, uma relíquia do beato foi entronizada na Catedral de São José do Rio Preto (SP). Segundo a ACI Digital, ela se tornou o segundo lugar de peregrinação em sua honra no país. Para acompanhar as datas de santos e beatos, consulte o nosso calendário.

Curiosidades

Padre Donizetti tinha formação musical sólida. Foi organista e professor de música ainda no seminário.

Em Tambaú, ele chegou na véspera da festa de Santo Antônio, padroeiro da paróquia, e tomou posse justamente no dia do santo.

Ao comentar a relíquia em São José do Rio Preto, o bispo local contou que uma consulta encontrou cerca de 2,5 milhões de registros do nome Donizetti no Brasil. Muitas famílias deram esse nome aos filhos por causa do padre de Tambaú.

Ele é comparado a outros sacerdotes que atraíram romeiros pelo Brasil, como Padre Cícero, no Ceará. Cada um, porém, tem uma história e uma situação bem diferentes diante da Igreja.

Onde conhecer mais

O principal lugar de devoção é o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Tambaú (SP), onde está o túmulo do beato. Na mesma cidade ficam a Paróquia de Santo Antônio, onde ele foi pároco, e a casa-museu onde viveu. A cidade pertence à Diocese de São João da Boa Vista.

Também é possível visitar a relíquia na Catedral de São José do Rio Preto. Para ler a cobertura da beatificação, veja a reportagem da ACI Prensa. Para continuar na fé do dia a dia, visite também nossa seção de orações.

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